L2|| XII. Coincidências Demais, Não Acha?

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CINCO ANOS ATRÁS (continuação)

— O que faz aqui? Quem me arrasta para o paredão e faz a pergunta é o mesmo loiro gigante com cara de poucos amigos da entrada. 

— Sou magnata. — Respondo imaginando que é isso que ele queria saber, erguendo minha mão e mostrando a pulseira neon necessária para estar neste andar. Ou melhor dizendo, usando de ilusão mágica para fazê-lo.

Seu semblante é imutável. Já enfrentei seres maiores que ele, mas não aqui no mundo humano. Ele parece bravo com alguma coisa, pega meu braço que se sente fino entre sua gigante mão e o ergue, analisando meu pulso. 

— Não tem nada no seu braço. — Afirma com sua voz grave. 

Como assim não tem nada? Minha magia não falha.

— Essa área é reservada e seu tipo não é bem vindo aqui. Saia imediatamente daqui e não volte nunca mais. 

Estou levemente ofendida. O que ele quer dizer com "meu tipo"? Nunca fui maltratada nesse mundo, especialmente por homens humanos, ainda mais quando uso esses vestidinhos. 

Sei lá que bicho mordeu o grandalhão aqui, e apesar de eu poder mordê-lo mais forte que qualquer bicho, decidi operar de forma mais passiva. É apenas um humano mal-humorado e eu só queria minha garrafa, não brigas. 

Aproveitando sua proximidade de mim, tento algo que já vi muitas mulheres humanas fazerem para apaziguarem feras desse tipo: fico na ponta dos meus sapatos de salto agulha para alcançar o máximo possível sua orelha. Dona Martinha sempre me diz que não há homem que mulher não se dobre dessa forma. 

Quando no planeta Terra, faça como humanos.

— Como assim, meu tipo? — Falo docemente contra seu ouvido dando uma de desentendida, passando a mão por seu cabelo e nuca suavemente. Não sei se faço certo mas tento, lembrando do que já vi humanas fazerem, sigo á risca. Começo a lamber o lóbulo de sua orelha sem muita certeza de que é assim que devo fazer mas dane-se, ele não me pára então imagino que está funcionando.

— O que raios está fazendo, sua maluca? — O brutamontes resmunga baixinho, mas sem me afastar. Ele sabe bem o que eu estou fazendo. Ao menos espero que saiba, pois para falar a verdade eu mesmo não sei ao certo.

De quebra já vou espalhando uns beijos por seu pescoço e para minha surpresa, a fera amansa. Haha, seres do sexo masculino são muito estranhos! E divertidos.... eles amolecem mesmo, como Dona Martinha me disse. Obrigada, mulheres humanas, por me ensinarem os melhores truques que existem no universo. Não é a toa que seres de outro mundo atravessam dimensões para virem até vocês. 

Relutantemente, ele segura minha cintura. Alguns beijos a mais em seu pescoço e ele me desce a mão para meu quadril. Sinto coisas estranhas, mas não paro. Vou beijando, mordiscando e lambendo até chegar em sua boca. Essa parte eu já fiz algumas outras vezes, então decido fazer com ele também. Eu o beijo e ele não devolve a princípio, apenas me aperta um tanto forte demais na cintura. Quando ele finalmente cruza sua língua com a minha e deixamos as duas brincarem, ele para de repente, coloca a mão no meu pescoço e me desgruda dele.  

— Não sei o que diabos você está fazendo, mas é melhor parar. Vou te dizer uma última vez: vá embora daqui. — Ele friza as últimas palavras e se vai, sumindo no corredor escuro.  

Algo na voz dele me deixa inquieta. Não sei porque ele encasquetou comigo, mas meu senso de auto-segurança não sentiu que ficar ali é uma boa. Quem é aquele cara e por quê acha que pode me dizer o que fazer? Não sei, e por mais que eu queira descobrir, algo me diz que não o faria sem uma bela e destrutiva luta. Bufando, decido para o bem de todos nós, sair dali. 

ADARISOnde as histórias ganham vida. Descobre agora