L2|| XI. No Momento Exato

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CINCO ANOS ATRÁS (continuação)

— Ah, não me olha assim. — Peço a Alexis. — Ele não vai nem perceber. Nada foi alterado. Essa era a regra não? Mágica que altere as leis físicas deste mundo estão proibidas. Elas ainda estão com roupas feias, olha lá. 

Alexis cerra seus olhos, desacreditando no meu argumento. 

Guendri nos proibe de usar mágica em outros mundos. Ao menos mundos dos quais a paz local depende de uma lógica como a do mundo humano, para funcionarem. Dependendo da magia, pode-se criar desordem, pois aqui a magia não é algo natural. 

Algumas fadas de outros mundos no entanto, não tem nenhum respeito pelos mundos alheios e causam transtornos o tempo todo. As fadas de Ionaris são umas verdadeiras pistoleiras interdimensionais, e causam problemas aonde vão. Verdareiras baderneiras. As de Herdegas também não valem muita coisa não, bem trapaceiras.

Aqui no mundo humano, cada fada tem seu condutor. Escolhem um objeto e concentram nele sua magia, para contê-la e usarem caso necessário. A minha é uma maravilhosa pulseira dourada que Dona Martinha me deu. Banhei o objeto em meu sangue tempo suficiente para fundí-lo com minha magia e cá estou com ela complementando minhas roupas.

Assim guardo e controlo minha magia de fada. Já a outra...

As meninas me agradecem com apertados abraços por ter convencido a hostess a deixá-las entrar. Sorrio para elas e para Alexis, que apenas suspira como quem diz "Vou dizer o quê? Você já fez a cagada mesmo." 

— Vão se divertir! — As dispenso com um aceno leve de mão, parando na entrada do lugar e respirando sua energia.

Casa Lumiere. Uma maravilhosa, colorida e reluzente esbórnia terreste de globos incandescentes que rodopiavam no teto, iluminando todos os lindos corpos revestidos em carne crua e pompa na pista de dança abaixo. Um banquete a quem queria se perder. Ou se encontrar. Oportunidades infinitas, coloridas e multidirecionais. 

Humanos soltam níveis de energia impressionantes em lugares assim. É estonteante, mesmo. 

Eu as assisto irem para a pista e cruzo os braços tentando calcular o tamanho da bronca que vou levar, se é que vou levar alguma. Não é porquê eu não ligo de quebrar as regras que não penso nas consequências que fazer isso me trazem.

Alexis interrompe meus pensamentos ao colocar o braço sobre meus ombros, se posicionando a meu lado. Dá um beijo em minha bochecha e diz:

— Você é a pior. Quebra as regras pelos motivos mais imbecis que já vi, Verena. — Sua voz penetra meu ouvido junto com a alta música eletrônica, enquanto ela sorri com a conclusão.

— É aniversario dela. — Me defendo, indicando a filha da minha amiga humana e sorrindo também — Parece besta pra nós mas pra ela isso significa muito. Ela merece.

— Sei... você não fez isso só porque queria entrar aqui de qualquer jeito, né? -Alexis ri.  

— Jamais! Isso foi pura caridade. — Eu rio junto. — Não é pra isso que dizem nesse mundo que existimos? Para ajudarmos pessoas? Darmos aquele vestido a gata borralheira e ajudá-la a conquistar o príncipe? — Já vi essas histórias e adoro rir delas. Imagino que há fadas que façam isso, apenas não as conheço. Você sabe que precisa de algumas coisas daqui. Negociar com a Corte Feroz não é fácil.

Alexis retira o braço de meu ombro e me dá um tapa na bunda. 

— Vai acabar sobrando pra mim como sempre. Você tem sorte por ser a favorita dele.

ADARISOnde as histórias ganham vida. Descobre agora