L2|| X. No Lugar Certo, No Mesmo Dia

419 85 129

CINCO ANOS ATRÁS

— Esse negócio de fila é um saco. — Bufo, tentando ver a extensão da bendita fila para entrar nessa balada no centro da cidade de São Paulo. É sábado a noite, e eu estou aqui devido a uma promessa que fiz a uma amiga. Bem, mais necessáriamente duas. Mas aparentemente, outras quinhentas pessoas também estavam e esperavam, tão impacientes quanto eu, uma atrás da outra.

Recostada contra a grade de metal, Alexis parece tão agoniada quanto eu, mas definitivamente mais acostumada com o fato de que a centopéia humana prontos para festa nunca anda ligeiramente e sempre temos que esperar.

Se eu não gostasse tanto disso e não precisasse entrar ali essa noite, eu já teria ido embora.

— Até aí sem novidades. — Ela me diz com o sorriso sarcástico mas fofo de sempre.

Já estivemos aqui duas vezes antes. e em outras baladas também. Aliás, não faz muito tempo que descobrimos essa dimensão e suas particularidades mas já a adoramos. Venho aqui principalmente para buscar objetos que são valiosos em outros mundos. Gosto de trocá-los, oferecer-los a outras espécies numa espécie de Mercado Livre que inventei. 

Seres de diferentes mundos me pagam de diversas formas por todo o tipo de esquisitice. 

Neste mundo não só gosto do que posso garimpar daqui e negociar por aí, mas também gosto das diversões que me provê, danças e socialização com humanos são uma das nossas atividades favoritas, minha e de Alexis.

Toda vez que podemos, damos uma escapadinha aqui.

— Tem uma forma mais rápida de entrar...  — Sugiro olhando para ela, já sabendo a reação que vou receber.

Como esperado, ela contrai os lábios e inclina a cabeça.

— Ele proibiu. — Alexis me lembra.

Acho engraçado quando ela o chama de "ele". Mas ao invés de perguntar se algo aconteceu entre os dois durante o último treinamento dela, prefiro fingir que não notei. Para quê estragar a noite falando de possíveis desavenças famíliares?

— Um dia serei obediente como você. — Brinco.

Ela só respira fundo e faz cara de quem não acredita no que eu digo como resposta.

Subo na grade metálica e olho mais a frente. A escuridão da noite é interrompida pelas luzes a frente da entrada do local, que apesar de reluzirem intermitentemente, me permitem olhar os rostos e tentar reconhecer algum.

— Bingo. — Digo, sorrindo para mim mesma assim que vejo Jaqueline, uma das amizade que fiz nessa cidade e que me pediu para vir aqui hoje. — Já volto, Alexis.

Pulo a grade e ando pelo asfalto ao lado da fila, passando por grupos de pessoas que esperavam para entrar assim como eu. Belas mulheres e homens, bem vestidos e alegres, empolgados com as infinitas possibilidades que a Casa Lamartine lhes pode oferece.

Após uma breve caminhada, finalmente chego em Jaqueline, que abre um gigante sorriso ao me ver e me abraça feliz ao me reconhecer.

— Verena! Que bom te ver! 

Quando nos afastamos do abraço, observo o que minha conhecida vestia. Meu Deus, era uma verdadeira lástima. Ela e a trupe de meninas igualmente cafonas e distoando do resto do lugar me olhavam de cima abaixo, analisando meu vestido favorito, vermelho curto e justo. pois é, até eu que não sou daqui sei que lugares assim exigem certas vestimentas para te permitir entrada.

ADARISOnde as histórias ganham vida. Descobre agora