Sociedade dos Magos

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          — Então, turma, temos um aluno transferido — anunciou o professor, de pé na frente dos alunos.

          A sala inteira foi tomada por silêncio, e todos os olhares se cravaram na porta. Afinal, alguém novo já no segundo ano do ensino médio era estranho. Se esse aluno transferido fosse uma garota excepcionalmente linda, isso poderia ser o início de uma história de romance clichê, mas não.

          O aluno transferido era eu.

          Bem, é verdade que eu não sou uma garota, mas ao menos eu sou excepcionalmente lindo. Eu acho... pelo menos é isso que minha mãe fala pra mim. Se bem que ela também diz que eu tenho alergia a não pedir "com licença", e isso é mentira...

          Certo, eu tenho um cabelo castanho escuro comum, mas abaixo dele existem duas grandes e brilhantes íris verdes. Será que isso faz de mim excepcionalmente lindo? Ou pelo menos somente lindo?

          Afinal, por que eu estava refletindo sobre minha aparência logo nesse momento? Talvez estivesse tentando distrair minha mente para não me lembrar do quão nervoso estava. Escola nova, pessoas novas, professores novos... tudo muda. Encarei a sala pelo vidro na porta, ansioso pelo momento em que o professor me permitiria entrar.

          E então esse momento finalmente chegou. Virando-se em direção a mim, me encarando pelo vidro embaçado, o homem de cabelos grisalhos que é o professor falou:

          — Pode entrar.

          Segurei firmemente a maçaneta e abri a porta com um rangido, anunciando minha entrada. Sem olhar para os rostos dos alunos, subi na plataforma elevada em que o professor estava e me virei, encarando a multidão de olhares que esperavam ansiosamente por alguma fala da minha parte. Aparentemente, pelos rostos desapontados das meninas da sala, eu realmente não sou excepcionalmente lindo.

          — Prazer em conhecê-los — disse, gaguejando um pouco. Minha timidez me fez hesitar antes de poder continuar, curvando-me sobre meu próprio corpo como um cumprimento. — Meu nome é espero que nos demos bem!

          Eu pulei uma parte do discurso de entrada!

          Uma parte o caramba, eu acabei de dar um salto estratosférico do início para o final da minha fala! O que eu fiz é como tentar falar "prazer em te conhecer" e só conseguir pronunciar "prazer conhecer", como se eu fosse uma espécie de animal de zoológico que foi treinado para falar, mas não conseguia se comunicar direito.

          Dava para ver a confusão estampada no rosto dos alunos a minha frente. Eles estavam me achando estranho, isso estava bem explícito. Que droga, primeiro dia numa escola nova e já cometo um erro desses...

          Eu tinha que consertar meu discurso de alguma maneira inteligente.

          — Meu nome do meio é "espero que nos demos bem", porque sou amigável e uma pessoa muito divertida!

          Agora parecia que eu estava querendo vender a mim mesmo como se eu fosse um bichinho de estimação.

          Acalme-se, Oliver, acalme-se. Respire fundo e simplesmente ignore tudo que você disse anteriormente. Vou falar tudo novamente, como se nada tivesse acontecido.

          Então, decidido, ergui o olhar e encarei todos os alunos. Eles estavam atônitos, sem nem saber o que comentar. Livrando-me de toda hesitação, eu falei, com toda coragem que reuni dentro de mim:

          — Prazer em conhecê-los. Meu nome é Oliver Danneville. — Nesse momento, me virei de costas para escrever meu nome no quadro. Aproveitei que não conseguiam ver meu rosto e corei, envergonhado. — E a partir de hoje estarei estudando aqui com vocês. — Voltei a encarar os alunos quando terminei de escrever, controlando o tom vermelho do meu rosto. — Espero que nos demos bem.

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