epilogue

1.2K 174 126

    — Ei, não jogue água em mim!

   Abaixei a revista para ver o que estava acontecendo, vendo Momo chutar a água do mar em Jisoo. Eu fico surpresa no quão rápido elas se aproximaram naquele tempo.

   Do meu lado esquerdo Jennie balançava a cabeça em negação, também deitada em uma cama de praia. O clima parecia tão bom, elas pareciam nem sequer se lembrar de alguns meses atrás.

   Sim, eu me refiro à morte de Chaeyoung. Foram tempos difíceis, mas nós tentávamos a todo custo deixar ela feliz mesmo que estivesse piorando, e como seu pedido era que eu estivesse consigo até o último suspiro, foi o que eu fiz.

   Um pouco depois de colocar em meu pescoço uma corrente sua, foi como vê-la adormecendo denovo. Pude perceber que entre as pessoas próximas dela eu fui a que menos sofreu, talvez porque aquela corrente me fazia sentir a presença dela.

   Acabei me aproximando de Jennie e Momo junto à Jisoo – que também gostava muito de Chaeng, sem nem mesmo perceber acabamos virando um grupinho, sempre saindo juntas para desabafar um pouco.
  
   Peguei na correntinha que usava, me lembrando de quando eu e as meninas nos organizamos pela primeira vez para vir aqui, na praia. Chaeyoung insistiu que nós viajassemos mesmo que ela não estivesse junto.

   — Esse plano era seu e da Chaeyoung, não é? – por ironia, escutei Jennie me perguntar.

   — Vir a praia? Sim – respondi calmamente – tava no nosso calendário, mas a gente nunca conseguiu ir.

   — Não se sente nem um pouco mal aqui? – perguntou baixo, talvez com medo de me chatear.

   — Não mesmo, eu consigo senti-la aqui com a gente. Deitada aqui nessas camas de biquíni e de óculos, enquanto revira os olhos da infantilidade daquelas duas ali.

   Jennie deu uma gargalhada, talvez imaginasse também uma Chaeyoung querendo matar todo mundo em uma viagem de praia.

   Voltei a ler minha revista, acreditando que Jennie não diria mais nada. Só fui perceber um tempo depois a mesma olhando dentro da minha bolsa, onde estava uma "velha" caixa que eu havia levado na viagem como uma espécie de amuleto.

   — Quando você vai abrir?

   — Eu... Não sei – respondi confusa.

   — Lisa, você parece ter aceitado tudo isso tão bem. Não venha me dizer que tem medo de saber o que ela deixou para você.

   — Eu não estou com medo – rebati – eu só estou esperando o momento certo.

   — E não acha que o momento certo pode ser agora? – fiquei em silêncio com aquela pergunta, ao perceber que o momento certo já tinha chegado.

   Olhei para a caixa, percebendo que eu realmente estava com certo receio de abri-la e ser atingida por o que deveria ter ali dentro.

   — Só tente não deixar esse momento para depois... Vou te deixar sozinha – disse se levantando antes mesmo de eu processar uma resposta.

   Suspirei vendo ela se desaproximar – talvez para me dar um espaço, mas logo voltei a olhar para o embrulho amarelo pela centésima vez desde que o recebi.

   Lentamente fui abrindo o embrulho para evitar que rasgasse, sorri ao ver que a caixa tinha alguns desenhos aleatórios feitos por ela mesma.

   Abri sem muita dificuldade, ficando surpresa ao ver coisas que pareciam comuns a quem não tivesse nos acompanhado. Entre vários dos objetos ali tinha coisas como um saquinho de açúcar da cafeteria onde eu trabalhava, ingressos vencidos de cinema, uma das lanternas que eu levei ao hospital para nossa barraca e até mesmo um pedaço de grama – acredito que seja da última vez que saímos juntas, mesmo que eu não tenha visto ela pegar.

months counted » chaelisaOnde as histórias ganham vida. Descobre agora