Capítulo 30

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“Louis? Estamos em casa agora.”

Harry falou baixinho, sua mão escovando os cabelos rebeldes, macios e marrons de Louis.

Seu coração estava partido em ver o outro garoto enrolado em si mesmo, com os joelhos dobrados com força. Não precisava de um médico para saber que Louis estava sentindo uma dor absurda.

Parecia que a cada buraco que o carro passava, uma nova onda de dor circula por todo o corpo do menino. Louis tentou esconder, mas Harry percebeu que a cada passagem pela estrada esburacada suas mãos se apertavam, ou pequenos gemidos de dor escapavam de sua boca.

As enfermeiras tinham previsto que isso iria acontecer, disse que seu corpo ainda estava se recuperando de todos os abusos que sofreu, e da cirurgia que ele tinha feito. Eles tentaram fazer Louis tomar uma dose de medicamento para dor antes de sair, mas o menino se recusou.

Harry se sentia triste por Louis preferir sentir dor a aceitar o remédio, mas ele entendia. Louis ficou aterrorizado depois que os médicos extraíram toda a droga do seu corpo, e agora sem a rede de segurança do hospital, Louis estava com medo de aceitar mais.

Harry suspirou e correu um dedo suavemente pela maçã do rosto do garoto.

“Louis, você pode vir aqui?”

Louis estava respirando em meio a suspiros cheios de dor e recusou-se a abrir os olhos.

Harry olhou para cima e viu sua mãe saltar do banco do motorista e andar para abrir a porta dos fundos, ao lado de Louis. Uma onda de ar frio inundou o veículo e um arrepio percorreu a espinha de Harry.

Ele estremeceu com a brisa e inclinou-se para Louis, escovando seu cabelo mais uma vez.

“Estamos em casa agora, Lou. Nós não temos mais que dirigir.”

Louis parecia se enrolar em si mesmo ainda mais, sua respiração ainda áspera enquanto tentava lidar com toda a dor que dominava seu corpo.

Louis se via incapaz de continuar firme, e Harry só queria levar o menino trêmulo em seus braços até em casa, onde era quente e seguro.

“Louis, querido, eu sei que você não quer se mover agora, mas temos de levá-lo para dentro, onde é quente.”

A voz suave de Anne era como a de Harry, preocupados ao ver o adolescente se encolhendo cada vez mais.

Ela se amaldiçoou por não ter feito Louis tomar a medicação para dor no hospital. Ela deveria estar agindo como uma guardiã para Louis, mas ela sentia-se como se já estivesse falhando.

Louis não recebeu muita orientação nos últimos dois anos de sua vida, e ele precisava de alguém para cuidar dele, mas Anne tinha medo de fazer Louis fazer algo contra sua vontade, mesmo que fossem drogas que fizessem toda sua dor ir embora.

“Lou, você poderia abrir os olhos para mim?” Harry perguntou, sua mão  ainda correndo pelos cabelos do menino.

Lentamente, Louis finalmente abriu os olhos.

Harry sorriu e limpou a lágrima que escapou. “Aqui está os olhos azuis que eu tanto amo.”

Louis tentou sorrir para as palavras de Harry, mas outra vez um gemido seco e doloroso escapou dos seus lábios. “Dói, Harry.”

“Shh, eu sei que sim,” Harry acalmou. “Mas você vai se sentir muito melhor quando chegarmos lá dentro.”

“Pr-promete?”

“Eu prometo.”

Louis respirou fundo e deu um ligeiro acenou de cabeça.

Juntos, Anne e Harry ajudaram Louis a sentar-se em seu assento, as pernas agora no chão do carro. A cada movimento que eles faziam, respirações duras e pequenos gemidos escapavam cada vez mais alto, enviando ondas de dores ao coração de Anne e Harry. Eles finalmente conseguiram mover o adolescente de forma que suas pernas estavam saindo da porta do carro, quase tocando a terra fria.

More Than Meets The EyeWhere stories live. Discover now