Capítulo 33

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HELLEN

Meu coração bate acelerado, contra o peito, fazendo um som cavo. Olho para o meu pai, que entrelaçou seu braço no meu, e procuro algum sinal de que ele está ouvindo o ruído da minha ansiedade. Pensando bem, acredito que ele tem suas próprias preocupações nesse momento. Afinal, sua única filha está saindo de casa. Não consigo sequer imaginar como ele está se sentindo!

Minha mãe está à minha esquerda, enxugando os olhos com um lencinho. Decidi que entraria na igreja acompanhada de ambos, que foram os instrumentos que Deus colocou em minha vida para a construção do meu caráter.

A cerimonialista arruma, mais uma vez um detalhe na mantilha do meu vestido. Não há nada fora do lugar, mas o nervosismo a impede de manter as mãos quietas.

Aproximo o buquê de begônias brancas e cor de rosa do rosto e sinto o cheiro das pétalas. A escolha dessa flor em particular para decorar o meu casamento deve-se ao seu significado. As begônias são atemporais, florescem durante todo o ano, e são associadas à inocência e à lealdade do verdadeiro amor. Quando Deus está no relacionamento, ele não tem dificuldade para florescer, seja qual for a estação. Esse é o meu desejo mais profundo, que a nossa família floresça e frutifique, mesmo quando as circunstâncias vierem para afligir a nossa alma. Que a glória de Deus seja manifesta através das nossas vidas!

Após alguns minutos de espera, um piano toca a marcha nupcial, e as portas da igreja são abertas, aos poucos. Fecho os olhos e respiro longamente, controlando as emoções. Quero lembrar-me de cada minuto desse lindo dia, quando estiver conversando com os meus filhos, no sofá da nossa sala de estar.

— Você está linda! — Sussurra a cerimonialista, me encorajando a continuar.

Passo a passo, atravesso a nave do templo, chutando a frente do vestido para não cair na minha própria festa, vítima do traje.

A igreja está tão linda, que meus olhos não sabem qual detalhe mais chama a minha atenção. As fileiras de bancos foram decoradas com rosas cor de rosa e cravos brancos, suas cores realçadas por folhagens tão verdes que constroem uma atmosfera de natureza pura dentro do templo.

Inconscientemente, meus olhos procuram Marcos, mas ele não está no altar, me esperando. Isso me deixa um pouco nervosa, pensando em mil e uma possibilidades que o impediram de comparecer ao próprio casamento!

Ver tantos rostos me deixa um pouco mais calma. Eles são testemunhas desse grande amor, que foi escrito pelas mãos de Deus. Cada um deles participou de alguma forma em nossa história, e hoje verão o cumprimento das promessas divinas em nossas vidas.

De repente, sem qualquer aviso, meu pai interrompe a marcha, justamente quando estamos no meio da igreja. Olho para ele, sem compreender o que está acontecendo.

“Será que ele está passando mal?”, penso. Mas ele não olha para mim, continua impassível. Minha mãe age da mesma forma, como se já soubesse que isso aconteceria. Tudo faz parte de um script ao qual eu não tive acesso.

Mas essa não é a única situação fora do normal. Subitamente, a música simplesmente muda. A marcha nupcial dá lugar a uma trilha sonora que eu conheço tão bem quanto o som da voz dos meus pais.

Mas não é meu pai quem começa a cantar, muito menos minha mãe.

Após uma breve introdução musical, ouço aquela voz que sempre fez meu coração bater em uma cadência melodiosa, única.

“Sei que não é fácil prestar atenção, a igreja está tão cheia, rola uma tensão, por isso resolvi usar só um piano ‘pra cantar essa canção. Hoje é o dia mais feliz ‘pra mim, ouvir você falar nesse altar que sim...”

Liberdade - Uma história de amor e féLeia esta história GRATUITAMENTE!