Capítulo Vinte e Quatro

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Marco congelou na mesma hora.

Quem, diabos, havia os interrompido?

Igualmente chocada, Elisa afastou os lábios dos dele e olhou para trás. Então franziu a testa e falou em um tom notável de irritação:

– Mano, eu disse que ia pegar as roupas que estavam no varal. Cai fora daqui você!

O rapaz não deixou por menos:

– No varal só tem meu uniforme da cafeteria, e preciso dele amanhã, Elisa.

Ela grunhiu.

– Irmãos caçulas só servem para encher o saco. Agora 'cê já trouxe a roupa, então quer fazer o favor de sair? Vaza, pirralho!

Mortalmente constrangido pelo segundo flagra de alguém da família Carvalho – que merda de azar! –, Marco se desenrolou de Elisa e se afastou, ocultando a parte de baixo do corpo atrás da pequena mesa com rodinhas que servia como ilha da cozinha.

Os três se olharam, em vários graus de vermelho nas faces – no caso de Elisa, não por constrangimento, mas sim por irritação –, e Marco percebeu que o melhor que tinha a fazer no momento era optar por uma fuga limpa e rápida.

O que só poderia ser feito se ele conseguisse agarrar as roupas que o visitante denominado "pirralho" segurava. E isso teria de ser antes de o rapaz resolver sair correndo também.

Para seu alívio, a briga não continuou, e tampouco o ruivo foi embora, assustado e com as roupas que Marco necessitava. Pelo contrário, ele só pigarreou e largou as peças sobre o balcão ao lado da pia.

– Hum.. Bem... Eu... – Ele começou, e então fixou os olhos verdes acima do pescoço de Marco antes de prosseguir: – Prazer em conhecer você, cara. Espero que as roupas sirvam. Elas ficam meio largas em mim, mas sabe como é, 'né? Sou magrelo e tal... Eu... Ahm, vou subir para o meu apartamento, então. Até mais.

Marco apenas assentiu e grunhiu um obrigado. Então, assim que o ruivo fechou a porta atrás de si, ele contornou a pequena mesa e, mais que depressa, agarrou a primeira peça da pilha, começando a vesti-la.

Que portaria! Por que essas frogas sempre aconteciam com ele?

Na verdade, essas frogas não "sempre" aconteciam. Só quando Elisa estava por perto.

– Ei, Marco, espera aí. – Elisa tentou impedi-lo, mas ela própria aparentava estar completamente sem graça. Ver seu irmão havia acabado completamente com o clima.

Marco rapidamente respondeu:

– Eu tenho compromisso ainda hoje, Elisa. Estou atrasado.

Compromisso com o quê, seu Zé Mané?, perguntou-se ele na mesma hora. Com a samambaia que você ganhou do Guilherme?

– Mas você ainda não comeu a sobremesa! – tentou argumentar Elisa.

Assim que Marco terminou de se vestir e calçar os sapatos abandonados desde a bagunça com o vinho e os amassos, ele a olhou com cara feia, o que a fez se corrigir:

– Não eu! Estava falando de sobremesa de verdade! Aqui, ó... – Elisa correu para a geladeira e a abriu, apontando para uma torta de morango. – Sobremesa. Feita numa cozinha mesmo.

Marco ainda continuava irritado com toda aquela situação. Só que ele realmente tinha gostado da companhia de Elisa durante aquela noite, e, com toda a certeza, a torta havia sido feita pelo Fernando e devia estar uma delícia.

Decisões, decisões...

– Eu fico se você prometer que vai manter as mãos longe de mim.

Meu Adorável AdvogadoWhere stories live. Discover now