Capítulo Vinte e Um

850 92 104

Elisa sentiu, pela primeira vez em toda a sua vida de namoradeira, um medo súbito de ficar muito perto de Marco.

Não medo dele, propriamente, mas do que poderia fazer com sua proximidade no clube, à vista de todos. Ela ainda lembrava muito bem dos contornos deliciosos que aquele corpo tinha embaixo dos ternos elegantes. E da pegada, Jesus? Disso ela lembrava bem até demais.

Assim que o viu, custou a se conter para não arrastá-lo para o cantinho privado mais próximo e se jogar nos braços dele. Tudo com o intuito exclusivo de tirar uma casquinha do seu MC.

Ou melhor, uma cascona.

Então, ao invés de deixar seus instintos libidinosos assumirem o controle, Elisa optou por uma saída estratégica: o banheiro feminino. E como era de praxe, arrastou suas amigas junto. Afinal, se ela tinha que lidar com um conflito interno tão grande, preferia fazê-lo acompanhada de distrações adequadas.

Andreia para lhe enojar com comentários românticos e Morgana para lhe listar todos os motivos pelos quais deveria ficar afastada de Marco.

Para a infelicidade de Elisa, porém, suas amigas eram muito mais perspicazes do que ela gostaria. Por isso, assim que as três entraram no banheiro, Andreia ignorou as meia dúzia de mulheres que ali se arrumavam e lançou um:

– Que bicho mordeu você, Elisa? Faz pouco tempo que estivemos no banheiro.

Elisa tentou fazer cara de paisagem.

– Só tomei muita água hoje. Não é nada demais.

Morgana arqueou uma sobrancelha, nada convencida.

– Sei... E isso não tem nada a ver com a repentina aparição do meu sócio?

Concentrando-se ao máximo no que ia dizer, para não acabar sendo encurralada pelas duas, Elisa rezou para que um dos cubículos desocupasse logo e negou:

– Não, nada mesmo. Nem sei porque teria alguma coisa a ver, Morgana.

Assim que duas das portas dos cubículos se abriram ao mesmo tempo, Elisa voou para a primeira, seguida de Andreia, que entrou na segunda.

Ao ver uma terceira porta se abrir, Morgana teve uma séria discussão com sua bexiga, antes que ela lhe fizesse ter uma vontade psicológica absurda de usar o vaso. Estava muito frio para voltar a baixar as calças e já havia acabado de sair do banheiro, poxa.

Sendo assim, obrigou-se a focar na conversa:

– Não há necessidade de nos esconder nada, Elisa. Eu já estou ciente de que vocês saíram juntos da boate naquela noite, e é óbvio que fizeram isso para irem para a cama. – Morgana deixou de lado a informação de como descobriu aquilo. Não era importante admitir que sabia da existência de um vídeo do casal bêbado. Até porque não pretendia entrar na confusão que Sandro criaria caso viesse a compartilhar aquilo com todos os amigos no grupo. – A questão é que você não pode simplesmente nos arrastar para o banheiro toda vez que o Marco aparecer. Ele é amigo de infância do Guilherme, o Sandro cresceu vendo aqueles dois juntos, e agora, por consequência, vai aparecer com frequência nas nossas vidas.

Elisa ignorou a reprimenda de Morgana, mas absorveu a informação de que Andressa e Guilherme não haviam falado nada para ela sobre a sua noite com Marco. Sorriu pensando naquilo. Claro que sabia que Guilherme só mantivera segredo por que a Tigresa dele era uma fera, mas ainda assim estava grata. Seus amigos eram discretos, e não iriam querer o inocente MC no meio de fofocas. Ou, talvez, apenas conheciam-na o suficiente para imaginarem que ela mesma contaria tudo, em detalhes.

Enquanto refletia se aquele seria mesmo o caso, Andreia se pronunciou lá de dentro da divisória dela:

– A Luana diria que a Elisa está passando por uma crise existencial após tantos relacionamentos deixados para trás sem nem a possibilidade de se tornarem algo mais sério. Eu, pessoalmente, acredito que esteja mais para uma crise de meia idade. Chega uma hora que o corpo da mulher, quando está próximo da menopausa, já começa a pensar em ter filhos, e para isso precisa de um marido. Marco pode não ser o tipo favorito da Elisa, claro, mas em meio à crise, o que cai na rede é peixe, não é? Quantas vezes eu já a alertei de que uma vida sem romance não é saudável?

Meu Adorável AdvogadoWhere stories live. Discover now