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Seis meses antes

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Seis meses antes


— Ficou sabendo da novidade? Pauline está grávida.

Mark Schmidt encostou nos lábios o bico da garrafa de cerveja, mas não bebeu. Não tinha certeza se o volume de sua voz havia sido alto o suficiente para superar os ruídos do bar, mas falar pela primeira vez em voz alta aquelas palavras faziam, de alguma forma, o fato se tornar real. E isso o atordoara como um soco na cara.

— Pois, você não deveria estar celebrando, rapaz? — O velho riu, debochado. Sua voz era desfiada e rouca como a de uma gralha. As bochechas rechonchudas e o nariz estavam muito vermelhos. — Olha o tamanho da bala perdida que você escapou.

E deixou escapar uma risada pela nariz que soou como um ronco.

Mark Schmidt depositou a garrafa de cerveja no balcão de madeira. Olhou para o teto e inspirou fundo.

— Você quer dizer a bala perdida que escapou de mim, não? — Suas palavras eram lentas e comedidas, mas saíam estranguladas, como sob efeito de muito esforço. — Não, eu não deveria estar celebrando. Eu devia ser o cara que está em casa com uma esposa grávida e não num bar com um pai bêbado e fracassado, além de um histórico de mulheres que me arrancaram o coração do peito e o partiram.

— Respeito, garoto! — o homem respondeu, após se erguer do banco e bater no balcão. Algumas pessoas olharam com o canto dos olhos e riram baixinho. — Você está muito enganado se acha que sou tão fraco a ponto de me embebedar com duas garrafas de cerveja. Pff.

— Meu Deus. — Mark ignorou a zombaria do pai e enfiou as mãos no cabelo, enquanto encostava a testa no balcão. — O que estou fazendo com a minha vida?

— Desfrutando dos maus dias. — O senhor inclinou a garrafa de cerveja, como se tilintasse o recipiente num brinde proposto imaginário. Seu olhar foi se tornando vago e distante. — Observando-os passar.

— Vou fazer quarenta anos de idade — falou mais para si mesmo, do que para sua audiência de um só. — Com quarenta anos de idade, o senhor já tinha se casado duas vezes e concebido quatro filhos.

— E se divorciado duas vezes! — o pai completou com o olhar ainda vago, piscando sem realmente fechar totalmente os olhos. — Isso não é algo que você deve ambicionar, rapaz.

— Estou cansado de tudo isso. A mesma lengalenga, sabe? — Sugou uma golada da garrafa e foi se animando. — Sabe? Conhecer alguém, se encantar, flores, mensagens, encontros, presentes, palavras, amar, se amarrar, perder tudo, virar cinzas.

— O ciclo da vida.

— Eu não quero nada disso. Não tenho mais idade para isso, caramba. Eu quero uma esposa, é isso. Que se dane todo o resto.

— Bem... — O velho focalizou novamente no filho e deu mais um daqueles sorrisos banguelas. — Se se sente assim, deveria tentar um daqueles serviços online...

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