Capítulo Vinte

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Marco sempre se considerou um cara calmo. Compenetrado. Sereno até, por que não?

Mas bastava uma das mulheres Carvalho atravessar seu caminho que todo o seu autocontrole ia por água abaixo.

E era por isso que agora ele se encontrava ali, contendo-se para não resmungar em voz alta enquanto dirigia o maldito carro, num maldito trânsito, rumo a um maldito encontro com a "bendita" Dona Nonô. Mas o pior era ter a certeza de que antes de conhecê-la, assim como à sua filha irresponsável e irresistível, Marco nunca tinha necessitado se segurar de fazer uma coisa dessas...

Até porque resmungar não era seu estilo. Muito menos em voz alta.

Mas o problema era que aquela situação toda estava fugindo ao seu controle. Não bastasse as encrencas que a Ruiva Mãe e a Ruiva Filha apresentavam para ele, Marco ainda tinha que aguentar aquela enxurrada de piadinhas que Guilherme e Sandro mandavam constantemente, o que era de enlouquecer qualquer um.

E o pior era que agora ele ficou com uma ideia fixa: descobrir quem vazou seu número de celular para a Dona Nonô. Essa dúvida ficava rondando sua mente nos momentos mais estranhos, como quando ele via alguma mensagem de zoeira do Sandro, ou quando colocava as meias na máquina de lavar.

Será que havia sido mesmo a Jen quem o traiu daquela forma?

– Jesus, se eu continuar pensando nisso, tenho a certeza de que a minha cabeça vai saltar do pescoço – resmungou Marco. Em voz alta.

Maldição!

Só esperava que Elisa não tivesse muitas tias. Pelo menos não por parte de mãe. Várias cópias de Dona Nonô compartilhando do seu número privado seriam o seu fim!

Quando Marco finalmente chegou ao clube, no qual Guilherme insistiu para que fizesse uma carteirinha de sócio, o sol já havia se posto, mas nem por isso aquele lugar continha menos pessoas. O frio do inverno parecia atrair ainda mais os sócios para os espaços próximos às lareiras e aos aquecedores de ambiente externo, e as conversas pareciam animadas entre os grupos que compartilhavam drinques e bebidas quentes.

Ele olhou em volta, procurando Dona Nonô no bar do salão de jogos, o mais movimentado naquele fim de tarde, e quando não a encontrou, seguiu para fora. Não precisou andar muito para avistar sua suposta sogra já o esperando em uma das mesinhas da área externa.

Assim que ela o viu, abriu um sorriso enorme e seus olhos azuis brilharam.

– Eu sempre soube que a minha filha tinha bom gosto – aprovou, animada. – Ser pontual é uma qualidade bem rara nos dias de hoje, sabia, querido? Os jovens normalmente estão atrapalhados com alguma coisa, às vezes até por causa de um celular.

Marco suspeitou que, caso ele tivesse se atrasado, Dona Nonô ainda assim o elogiaria por qualquer outra coisa. A mulher era impossível.

Ele sentia o peso de um alvo gigantesco em seu peito, só esperando para que Dona Nonô o acertasse com uma flecha do amor que levava o nome de sua filha.

Meu Deus, estou ficando maluco. Deve ser a convivência com a Morgana e as novelas que ela faz de conta que não assiste.

– Boa tarde, Sra. Carvalho. Tudo bem com a senhora?

– Já disse que você pode me chamar de Dona Nonô, filho. E sim, estou muito bem. Como vai você?

Os dois ficaram naquela conversa educada até chegar o que Marco pediu ao garçom. Era um capuccino, que ele esperava não precisar abandonar como acabou acontecendo com seu expresso. Dona Nonô já bebia o que parecia ser uma taça de chá e o observava com olhos atentos.

Meu Adorável AdvogadoWhere stories live. Discover now