Epílogo

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Nelson conseguia sentir toda aquela energia vindo das arquibancadas.

Aquilo fez ele tremer de excitação. Excitação e nervosismo.

Os olhos de todos estão na gente... todo o país está apoiando a gente...

Perante ele estava a piscina. Seu melhor amigo estava chegando no outro lado.

Enquanto ele ficava de pé no bloco de partida, sua respiração ficou mais rápida. Nelson não podia esperar para pular na água, para nadar.

Certo. Tivemos alguns problemas no começo, mas Yuri conseguiu recuperar. Se o Marcelo mantiver o ritmo, a gente fica no páreo. Então vai ficar por minha conta ganhar.

Novamente, ele sentiu os olhos de todos ficarem sobre si e os membros de sua equipe. Milhares de olhos.

E são os que estão aqui... deve ter milhões mais assistindo pela TV. Não iria tão longe a ponto de dizer o mundo, mas ao menos boa parte do mundo esportivo está, pensou, sorrindo.

Um sorriso que era tanto confiante quanto nervoso.

Cris, mãe, pai, e todos estão torcendo por nós, pelo Brasil.

Eu preciso vencer isso. Eu já venci uma medalha de bronze e duas de prata. Preciso do ouro, senão não vou parecer tão legal quando eu perguntar pro Cris!

Vamos, Marcelo! Mantenha o ritmo!

Seu melhor amigo ficou um pouco para trás durante a virada, mas ele acelerou durante o meio da volta e estava par a par com os chineses e americanos.

Ótimo! Continue, meu melhor amigo idiota!

Os poucos e breves momentos em que Marcelo erguia a cabeça acima do nível da água para respirar eram o bastante para Nelson saber que o amigo passou do limite. Ainda assim, o nadador não diminuiu o ritmo.

Ele quer a medalha de ouro tanto quanto eu. Não só ele, o Yuri também. Todos querem o ouro. Pra nós e pro Brasil.

Vamos colocar nossos nomes na história.

Marcelo se aproximava a cada braçada dele.

Nelson inclinou o corpo e tocou no bloco inicial.

Ele respirou fundo, se concentrando.

Então sorriu quando tudo à sua volta ficava quieto.

Ele estava no máximo de concentração que conseguiria.

Só havia ele e a água agora.

Todo o seu ser estava focado em nadar e vencer.

No instante em que o amigo tocou na parede, Nelson pulou para frente com os braços estendidos.

Obrigado, Marcelo! Agora deixa comigo!

Quando Nelson tocou a água, ele sentiu o impacto e a resistência logo. Mas só mexeu os braços e pernas quando sentiu o impulso desaparecer.

Bom... bom! Estou sentindo!

Ainda que acontecesse sempre que ele nadasse em um torneio, Nelson jamais deixou de sentir o arrepio de voar pela água.

No canto do olho, ele podia ver algo se movendo nas outras raias. Mas não se importou.

Já que os colegas de equipe fizeram a parte deles, ele não deixaria ninguém na mão.

Como um nadador âncora, eu vou cuidar disso!

Nelson viu a outra parede e se preparou para se virar. Ele empurrou a parede com toda a força que suas pernas tinham e deixou o impulso levá-lo por alguns segundos. Então ele começou a mexer os membros de novo, batendo na água com o apoio do país todo atrás de si.

O nadador e o assistenteRead this story for FREE!