Written in My Own Heart's Blood - V

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27 de maio

A carta de Tatiana foi da simplicidade mais tomada de carinho que poderia ser. Ela me contou que tinha acabado de chegar ao Quênia e ido direto a uma ilha na costa norte, onde ficaria por tempo indeterminado. Disse que tinha espaço para mim e que quando se cansasse de lá queria que eu mostrasse a ela lugares que eu tinha visitado e que ainda não tive como mostra-la. Não sei porque me surpreendia que Tatiana estivesse vivendo da forma mais plena possível entre nós sete. Conhecendo o mundo, os lugares que ela não conheceu durante nossa busca pela décima terceira vampira. Depois de nascer meses antes da segunda guerra mundial e viver em guerra por quase 100 anos, ela finalmente estava livre.

A lua sangrenta chegou devagar como uma cobra que se prepara para o bote e de repente nos atingiu. Em 13 de novembro, nenhuma de nós dormiu. A lua já estava vermelha, como se tomada por um véu rubro, mas ainda não estava cheia o suficiente para significar uma Danse Macabre. Ficamos pela sala da casa de Anika, andando sem rumo de camisola como fantasmas. Pierre também estava entre nós, nos encarando, com o olhar grave. Amelie dormia tranquilamente deitada no sofá, como se estivesse lá apenas para lembrar que a Morte estava chegando.

Quando o sol estava prestes a nascer, Sophie perdeu a paciência, perguntou se éramos ou não a merda de um Exército e começou a organizar nossas estratégias de guerra. Apenas eu, Ellie e Anika poderíamos fechar a ruptura, então era melhor que nós três ficássemos longes da ação com a Morte. A Morte também faria de tudo para levar uma de nós três, em especial, eu então era melhor que fosse como fosse. Pierre ficaria conosco, para garantir que o fechamento da ruptura tiraria dele sua parte demônio. As cinco que iriam para a batalha precisavam repassar o que sabiam sobre Danse Macabre. Anika ameaçou lançar sobre todas um feitiço da verdade para ter certeza de que nenhuma delas tinha intenção de se unir à Morte. Claro que ela sabia que Kaylee se mataria, não se uniria à Morte, então, quando Kaylee jurou que não tinha a mínima intenção de se juntar à Morte, mesmo que Amelie fosse levada com ela, nós sabíamos que ela não estava mentindo.

Kaylee parecia miserável naqueles dias, mas de uma forma mais obsessa e menos completamente depressiva. Depois de todo tempo que passou catatônica e triste pelo que fez com Amelie, ela finalmente estava deixando a garota de volta sob a guarda dela – e isso a estava enlouquecendo. A batalha com a Morte significava o fim da ligação de Amelie com a mesma e como Kaylee não tinha intenção nenhuma de se unir à Morte, Amelie provavelmente estaria morta até o fim da noite. Devastando Kaylee mais uma vez.

As preparações de guerra nos deixaram mais calmas, mais graves. Agora, era só esperar até a noite. Enquanto ela chegava, nós nos movemos pela casa, organizando as últimas coisas. Depois disso, voltamos à sala e esperamos, ninguém com coragem de fazer mais do que passar as páginas de um livro, abrir e fechar aplicativos no celular ou distraidamente brincar com a corrente do colar, pensando aquele seria seu último dia de vida – neste plano ou em qualquer um outro. Ellie estava nervosa demais para se mover e eu fiquei descansando a cabeça no ombro de Ellie, cochilando.

Estava quase pegando no sono, quando Sophie se sentou no braço do sofá e esticou as pernas sobre nós duas. Não me movi ou abri os olhos.

- Sabe o que é estranho? – Sophie perguntou, para Ellie. – Quantas de nós queremos um final feliz romântico.

- Sophie. – Ellie gemeu, como se dissesse "Kat pode estar ouvindo".

Eu estava, mas elas não tinham como ter certeza e Sophie não se importou.

- Nós desprezamos o amor com tanta vontade, por tanto tempo. E agora Juliana está caindo de amores por Pierre e com medo de morrer apenas para não acabar perdendo a chance de beijá-lo. Kaylee pensa em se matar por Amelie. E você...

As Crônicas de Kat - A História CompletaWhere stories live. Discover now