I Coríntios 15:25-26 - VI

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Piatra Neamț, Romênia

20 de março

Kaylee

Céus quase tão escuros quanto a noite, trovões ensurdecedores que abalam a estrutura das casas e uma chuva que cobre a vista da cidade é como a primavera de 2016 diz olá a Piatra Neamţ. Dentro da casa de vidro de Persephone o clima parece tão tempestuoso quanto lá fora, com os Acordos com a Morte se aproximando pelas sombras e todos os outros problemas que parecem se multiplicar desde que Kat e Ellie foram sequestradas.

Depois de soltar a bomba sobre a existência de Anika há alguns dias, Deyah voltou noite passada para avisar a Ellie que ainda existem membros do Clã Romeno vivos. Não o suficiente para se unirem em algo tão forte quanto costumavam ser, mas o suficiente para que possa haver alguma retaliação. Além disso, as bruxas de Piatra pediram a destruição do Clã inteiro para permitir a nossa entrada na cidade e eu duvido muito que elas abram mão do acordo apenas porque ele coloca nossa vida em risco. Kat não pareceu surpresa quando ouviu a notícia esta manhã.

- Nada com raízes fincadas no Inferno é tão facilmente destruído com fogo. – Ela disse, dando de ombros.

Sophie grunhiu e se juntou a Persephone para criar um plano de defesa caso alguma coisa aconteça. Elas disseram que até o fim da noite terão um plano que precisará integrar todas as ex-bruxas do Exército. É uma clara tentativa de deixar todas nós com mais desejo de voltarmos a ser bruxas, mas elas ainda não perceberam que não tem nada a ver com vontade. Qualquer uma das meninas faria qualquer coisa para ter sua alma de volta em dois dias, sem precisar ir ao Inferno. O problema é o maldito enigma que cobre o sacrifício. Ninguém tem "algo que não pertence ao Inferno e que considera tão importante quanto a própria alma". Quer dizer, quase ninguém.

Eu percebi quando Juliana viajou com Pierre e Amelie automaticamente foi isolada do resto da casa. Na noite depois da visita ao oráculo, Juliana chegou como um furacão, cheia de perguntas para Amelie. Isso fez com que todo mundo se reunisse em volta para observar e Juliana não se importou, apenas querendo respostas. Cada novidade que saía da boca de Amelie fazia com que todo mundo se movesse em direção a Juliana, tentando defende-la, protegendo sua retaguarda. A mesma força que as fazia fazer isso me movia em direção a Amelie. Apesar de eu me perguntar porque ela não tinha contado tudo aquilo antes, mesmo tendo passado semanas em nossa companhia e tendo recebido votos de confiança em diversos sentidos, eu queria defendê-la ou ao menos garantir que ela tivesse uma chance de se defender. Ninguém atacou Amelie porque todas ficaram mais preocupadas com Juliana e o fato de ela ter que deixar o Exército e ir a Paris, mas todo mundo se tornou muito consciente de que a presença de Amelie poderia ser danosa e de que ela não era uma de nós e sequer tinha algo que a prendesse do nosso lado, como Persephone e Pierre.

Naquela mesma noite, quando Kat nos contou sobre os Acordos, eu não percebi na hora. Tinha outras preocupações na cabeça e já que todo mundo queria pegar a alma de volta mais do que eu queria, eu sequer me preocupei com sacrifício algum. Depois que Juliana deixou a casa é que minhas observações me levaram à conclusão de que a pessoa sou eu. Existe mais gente que tem ligações que consideram tão importantes quanto a própria alma, mas a maior parte das meninas tem isso dentro do Exército e não faria sentido matar uma de nós para que a outra volte a ser bruxa no meio da guerra. Pierre seria "a coisa que não pertence à Morte" da forma mais profunda que nós conhecemos, mas nenhuma de nós se importa com ele de forma alguma. Dizem que Tatiana criou alguma ligação sobrenatural com ele, mas eu duvido muito que até mesmo ela se importe com ele tanto quanto com a própria alma. Resta assim, Amelie.

- Sério? Tanto quanto a sua própria alma? – É o que Kat pergunta, erguendo uma sobrancelha, mas sem olhar para mim quando conto a ela sobre minhas conclusões.

As Crônicas de Kat - A História CompletaWhere stories live. Discover now