I Coríntios 15:25-26 - I

Começar do início

Os olhos lilases de Persephone faíscam e seu maxilar trava. Eu sei que ela está lutando contra algo dentro dela quando diz:

- Nós conversaremos sobre isso esta noite. No momento, sei que vocês cinco precisam de banhos e de algo para recuperarem as forças.

Kat a encara por um momento e em seguida concorda. Todas nós queremos falar com ela e com Ellie e entender o que aconteceu, mas sob a luz da morte de Miranda decidimos que é melhor deixar o grupo que acabou de chegar em paz. Retornamos para a casa abrigo em silêncio. Voltamos para a casa do lado de fora de Piatra assim que Sophie nos enviou uma mensagem avisando que destruíra o Clã Romeno e resgatara Kat e Ellie no processo. Foi tão repentino que pareceu até suspeito, mas Persephone confirmou o que elas haviam feito e saímos da cidade para o alívio das bruxas.

Sou a última a entrar, ficando para trás para olhar com cuidado para Valentina e checar se ela realmente está bem. Sei que ela não sente, mas perder uma gêmea é algo que afetaria qualquer criatura. Ela parece sem algum tipo de equilíbrio, mas além disso está bem. Não falo com ela, mas espero que meu olhar transmita muita coisa. Quando entro na casa, o Exército já se dividiu. Toco as paredes enquanto ando distraída de volta para a janela, com a mente em Miranda.

- Anika. - Uma voz me chama da porta, me fazendo saltar. - Posso falar com você um instante?

Me viro para encontrar Pierre parado onde eu entrei.

- O que você quer? - Pergunto, sem me mexer.

- Falar sobre algo que você provavelmente não quer que o resto do Exército ouça.

- O que possivelmente...?

- A morte de Miranda. A primeira delas.

Solto um grunhido e volto até ele, ignorando o sorriso presunçoso quando o puxo pela manga até a varanda e fecho a porta de vidro atrás de mim.

- Fale.

- Eu sei que as gêmeas não morreram tendo o sangue sugado.

- Não me diga, Sherlock. O que te fez perceber isso? A falta de cicatrizes?

- A obsessão por facas. Ela pontuou. - Os olhos dele se aprofundam nos meus antes que ele pergunte: - Elas se mataram não foi?

Suspiro.

- Eu as encontrei sangrando com uma ferida no pescoço e segurando facas nas mãos pálidas. Pensei que já estivessem mortas, mas quando me aproximei os olhos de Miranda se mexeram. Elas eram tão delicadas. Menores que eu e tão adoráveis. E ainda estavam respirando. Pareciam exatamente o tipo de prêmio que eu queria levar de volta para casa, mesmo que Kat as matasse, só para provar que Sophie estava errada sobre eu não ser completamente vampira. Então eu as batizei. Elas morreram docemente e quando acordaram, mais confusas do que qualquer outra coisa eu pedi que confirmassem minha história complexa sobre a morte dramática delas. Sua transformação era exatamente a coisa que Kat não queria que ninguém fizesse: Eu as transformara sem permissão e sem consentimento. Elas me contaram sua história real e eu fui até ao circo apenas para roubar roupas limpas que reforçassem minha história.

- Por que elas queriam se matar?

- Elas eram espertas, sabiam que duas crianças de 11 anos não poderiam simplesmente fugir e esperar sobreviver, então um pacto de suicídio era mais lógico.

- Não, eu quis dizer, o que levou elas a desejarem morrer? - Olho para ele como se fosse a criatura mais idiota do mundo e ele ergue as mãos. - Eu estou dando o benefício da dúvida a elas. Prefiro não acreditar que apenas a vida no circo tenha feito com que elas desistissem da própria vida.

As Crônicas de Kat - A História CompletaOnde as histórias ganham vida. Descobre agora