Capítulo Dezessete

1K 88 122

Normalmente, Marco gostava de acordar e saber que tinha um dia inteiro para aproveitar. Um dia inteiro cheio de tarefas e compromissos programados.

E, normalmente, ele acordava bem disposto depois de sete horas de sono reparador. Nem mais, nem menos. Sete horas eram a medida exata que seu corpo e mente precisavam.

Mas aquela manhã de domingo não tinha nada de normal. Muito pelo contrário.

Havia três pesos sobre Marco. Dois eram quentes, um em cada lateral dele, e o imobilizavam no lugar. Já o terceiro, que mais parecia um tijolo de concreto, concentrava-se bem no centro de sua testa. Foi assim que ele entendeu que a dor na testa vinha de sua ressaca.

Marco apertou os olhos tentando fazer a dor dissipar, mas a sensação que teve foi a de que ela só piorou.

Jesus Cristo, o que eu bebi ontem? Gasolina? Querosene?

De repente, o que havia no seu ombro esquerdo se mexeu contra seu corpo, esmagando-o até fazê-lo gemer. Como resultado, ele gemeu de novo, devido à dor de cabeça intensa causada pelo seu primeiro gemido.

Em seguida, algo quente e molhado deslizou pela sua bochecha. Ele tentou se afastar, mas estava encurralado. Grunhindo e cheio de dor, Marco arriscou abrir um olho e avistou uma luminária quadrada e moderna – graças a Deus, desligada –, num teto branco permeado de sombras.

Ele levou algum tempo olhando para cima e tentando entender. Quando finalmente reconheceu onde estava, na sala de estar do apartamento de Guilherme, só lhe faltou encaixar as demais peças do quebra-cabeça, que o sufocavam sem piedade alguma.

Aquele "algo quente e molhado" voltou a se esfregar nele, desta vez roçando em sua orelha. E foi assim que Marco se viu forçado a desistir do jogo de adivinhações. Tentando ao máximo não mexer a cabeça dolorida, ele desceu o olhar, e o que encontrou o deixou chocado.

De um lado, cobrindo-o quase por inteiro, havia um mar de pelos dourados.

E do outro, pegando o que sobrava de seu corpo, havia cabelos ruivos e muita pele exposta.

Ele mesmo só usava suas boxers e nada mais. Um lençol, que seria muito bem-vindo naquele momento em que se sentia tão exposto, encontrava-se ao final do colchão.

Enquanto tentava enrolar a pontinha do tecido entre os dedos do pé a fim de puxá-lo para cima, uma porta se abriu e ele ouviu passos se aproximando.

Ah, não, ah, não...

– Argos, saia já daí! – ordenou Andressa, aos sussurros.

Marco ouviu um gemido canino e percebeu que Andressa acabava de dar a volta no sofá.

Constrangido, ele a assistiu se abaixar e puxar o lençol para cobri-los.

Logo em seguida, ela voltou a erguer só a ponta do tecido, de modo que pudesse permitir que o monstro peludo saísse, e o chamou, ainda aos sussurros:

– Vamos, Argos, você tem a sua própria cama!

Só então ela percebeu que tinha mais gente acordada.

– Ah, bom dia, Marco. Desculpe por isso. O Gui deve ter deixado a porta do quarto aberta. Eu esqueci de avisá-lo que vocês estavam aqui.

Como se soubesse que falavam dele, Guilherme entrou na sala.

– Mal sai da minha cama e já quer pular na de outro, Tigresa? Assim não dá!

Argos olhou a sua dona, que ainda mantinha a testa franzida na direção dele, e então se virou para o dono, que tinha um sorriso no rosto, e não pensou duas vezes. Levantou-se e sapateou por aquele tapete de humanos até chegar a Guilherme.

Meu Adorável AdvogadoWhere stories live. Discover now