CAPÍTULO 23

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O Templo de Artémis (Parte 1)


          — O que te faz ter tanta certeza de que as irmãs irão lutar ao meu lado, caro Dionísio? — Heitor pergunta ao se aproximar de Dionísio, que está observando a grande tela holográfica na sala de comando da nave. Dionísio olha para Heitor.

          — Não se preocupe, nobre filho do Clã, assim que elas chegarem nesta nave, o que acontecerá daqui a alguns instantes, você saberá e verá que não terão motivo pra me trair. — Dionísio diz e se afasta. Heitor fica preocupado.

          Dionísio anda por um largo corredor da nave. Ele segue para um dos elevadores, que levam até o setor das naves de guerra individuais. Quando a porta do elevador se abre, já no setor das naves menores, o capitão pirata vê as Munakata descendo da nave delas. Ele vai ao encontro das trigêmeas.

          — Pontuais como sempre! — Dionísio se aproxima para dar um abraço em Hana, que cruza os braços. O capitão pirata continua sorrindo. — Sejam bem-vindas à minha humilde residência espacial.

          — Pare de tolices. Vejo que não cumpriu o acordo. — Issa comenta, ao ver Heitor se aproximando do grupo. Dionísio mantém seu sorriso canastrão.

          Quando Heitor se aproxima do capitão da nave, mal tem tempo para dizer algo. Os soldados de Dionísio, que estavam em meio aos pilotos e engenheiros do setor, se aproximam rapidamente do filho do Clã e o imobilizam.

          — O que está acontecendo? — Heitor pergunta, furioso.

          — Como podem ver, meninas, sempre cumpro com minha parte nos acordos. — Dionísio olha para Heitor, que assiste a tudo sem compreender. — Nobre Heitor, o acordo que fiz com as meninas foi o seguinte... Elas nos ajudariam a encontrar Yby, prenderíamos ela e Dandara e então as entregaríamos ao Governo em troca de Muriah. Mas elas não gostaram do plano, disseram que só ajudariam se você também fosse preso e entregue ao Governo. Essa foi a condição pra que elas aceitassem lutar ao nosso lado, como sei do seu ódio por Yby, imaginei que não se importaria de colaborar com o plano se tornando também um brinde pro Governo... então aceitei as condições. Espero que não leve pro lado pessoal. — Dionísio faz sinal para os guerreiros levarem Heitor para uma das salas de detenção da Nave. Issa sorri.

          — Vamos logo preparar o ataque. Yby está na Lua. — Issa diz.

          — Na Lua? Pelos antigos! Como não pensei nisso... Era óbvio que iriam pra Lua. — Dionísio diz. — Vamos, não podemos mais perder tempo.

          Petra treina no dojo de um templo isolado no deserto da Lua. Yby conversa com Dandara.

          — O que dizem é que as Munakata romperam com Heitor após um dos surtos dele, por elas terem deixado você sair viva de Vênus após a luta onde Malik foi morto...

          — Sim, elas nem foram pra batalha final em Marte e, até onde sei, querem a cabeça de Heitor.

          — Pois é... não faz sentido estarem nos procurando pro desertor do Clã, como te disse seu informante...

          — O fato é que fizeram perguntas sobre nós por aí e provavelmente já descobriram onde estamos. Kamikia teve uma intuição em Marte, segundo ele, o salvador de Heitor foi Dionísio.

          — Dionísio? Hum... aí faria sentido. Há tempos ele busca vingança por termos entregado Muriah ao Governo. Mas se ele está com Heitor, as Munakata dificilmente lutariam ao lado dele.

          — A menos que ele traia Heitor. — Yby fica pensativa.

          — Entre em contato com Kamikia e tente conseguir reforços com guildas chefiadas por pessoas de nossa confiança. Precisamos marcar um encontro em um lugar seguro, bem longe da Lua.

          — Sim, senhora! — Dandara responde, com um tom descontraído, e começa a enviar mensagens aos aliados.

          Yby anda por um corredor; um frequentador do templo a cumprimenta enquanto passa por ela. A mercenária pega a relíquia em um pequeno bolso no cinto e segue para a saída. Ela para diante as escadas, olha para a relíquia, depois para o deserto sombrio que rodeia a construção.

          A região, onde foi construído o templo, está no período da escuridão, ou seja, na noite lunar, que dura aproximadamente quinze dias terrestres; como o local é abandonado, o breu toma conta de tudo, tornando a paisagem assustadora. Enquanto Yby observa o deserto, Petra se aproxima.

          — Não tenha receio, estamos com você... — Petra diz e olha para o amuleto na mão de Yby. — E as deusas também. — Petra sorri de forma sinistra. Yby sorri de volta. Dandara se aproxima.

          — Nossos aliados irão nos aguardar no templo de Andyrá. — Dandara diz e olha para o céu, assustada. Yby e Petra não têm tempo de olhar também, pois há uma grande explosão no templo, causada por um projétil lançado de uma nave. A explosão faz com que as três guerreiras sejam jogadas longe. Em seguida, as Munakata são deixadas no deserto por uma pequena nave.

          — Vamos continuar atacando, capitão? — Uma soldado de Dionísio pergunta, diante dos controles da nave.

          — Não. As Munakata pediram pra não intrometermos. Essa luta é delas. Vamos esperar que acabem, então levaremos o que sobrar para o Governo.

          — E se nenhuma delas sobreviver, capitão? — Um soldado pergunta.

          — Ainda teremos Heitor. De qualquer forma, Muriah terá sua liberdade. — Dionísio diz, sorrindo. — Vamos assistir à luta.

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