Capítulo Quinze

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Como Marco e o taxista ficaram naquela enrolação, Elisa tirou uma nota de vinte reais suada de dentro do decote do vestido, sua "carteira" anti-furto. Afinal, se roubassem sua bolsa, ela ainda teria dinheiro para um táxi.

Esticando o dinheiro entre os dois, ela interrompeu Marco e seus contínuos movimentos de aproximar a carteira do rosto e afastá-la. Aquilo já estava deixando-a louca...

Com uma expressão dividida entre o alívio e o nojo, o taxista pegou aquela cédula usando apenas o dedo indicador e o polegar. Pudera, a aparência dos vinte reais não era lá muito atraente.

Já Marco se sentia irritado com sua incapacidade de encontrar o dinheiro. Ele fechou a carteira e, contorcendo-se no banco, tentou enfiá-la no bolso. Não obteve muito sucesso, na verdade, já que uma aba dela ficou do lado de dentro e a outra do lado de fora.

Então, sem dizer nem uma palavra, ele se arrastou até o lado de Elisa para sair do táxi, praticamente empurrando-a. Na realidade, Marco parecia ter esquecido que podia usar a porta ao seu lado e se adiantou para a que ela havia aberto. No caminho, aproveitou e pegou a bolsinha brilhante, que tinha ficado esquecida no assoalho do carro.

Mal ele fechou a porta, o veículo deu a ré e seguiu em disparada rua afora, cantando pneus. Em poucos minutos, os dois viam apenas suas luzes traseiras, parecendo lhes dar adeus antes de desaparecerem na noite.

– Minha nossa, que motorista mais imprudente – resmungou ele.

Elisa nem se dignou a responder e o arrastou até a porta com batente em luzes neon de um vermelho ridículo.

– Que lugar é esse? – sussurrou ele. Sentia-se um tanto quanto assustado com aquela fachada. Havia daquelas mesmas luzes nos contornos das janelas, e também nas sacadas.

– Sei lá – respondeu ela, mais preocupada em seguir com seu objetivo: Marco nu a seu dispor. – Eu disse: "Para o motel mais próximo já!". Então deve ser o motel mais próximo. O taxista queria se livrar da gente, não percebeu?

Marco franziu a testa. Estava bêbado, mas não maluco o suficiente para entrar naquele muquifo.

– Isso aqui não é um motel, Elisa, isso aqui é uma espelunca. Vamos embora. A gente chama outro táxi e procura um lugar decente.

Elisa o segurou firme pela mão. Marco não lhe escaparia tão cedo. Ela ainda tinha que acabar com uma seca, e que o Santo das Motoqueiras lhe ajudasse porque naquela noite ela teria sexo com o seu MC, custasse o que custasse.

– Agora que estamos aqui, ficaremos. Não vou esperar mais nenhum minuto para ter você todinho para mim. Deixa de ser fresco, MC. Vamos logo.

Apesar de continuar tonto, pela bebida ou pelas luzes neon que criaturas sem qualquer noção de decoração haviam espalhado até dentro do saguão, Marco tentou endireitar os ombros, ofendido, e ajeitou a bolsa de festa sob o braço.

Seus dias de empoado findariam ali mesmo.

Quando teve a certeza de que ele não fugiria mais, Elisa largou sua mão e se aproximou do balcão. Então, apoiou-se nele, permitindo que seu decote descesse conforme ela se inclinava. Assim como o planejado, o rapaz da recepção não resistiu e deu uma olhadela naquele par de peitos que surgia do vestido brilhante.

Isso, pensou Elisa, vitoriosa. Faço o menino feliz e ele nos arranja um quarto vago sem demora!

Marco, ao assistir aquela cena, fez uma carranca para os dois. Para Elisa por ser tão oferecida e para o atendente, por ser tão tarado.

– Oi, coisa linda – disse ela numa voz meio cantada e com um sorriso nos lábios que teria sido bem mais sexy se estivesse sóbria. – Precisamos de um quarto. Eu tenho que jogar esse loiro numa cama e tirar as roupas dele.

Meu Adorável AdvogadoWhere stories live. Discover now