Stregoica - V

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Kaylee

Persephone sorri discretamente. Cada vez que ela faz isso é mais perturbador. Seu rosto não é do tipo que foi feito para sorrir. Ela tem uma armadura no lugar de feições. Seus sorrisos são uma forma de ataque, não de rendição.

– É aqui que cada segredo cai. Este é o lugar onde cada parte de vocês é revelada por inteiro. Se eu não estiver conectada com a essência mais profunda de quem vocês são é muito mais fácil perder vocês no Inferno e não encontrar o caminho de volta até seu corpo.

– Isso soa como uma versão mais violenta dos desejos de Bianka. – Sophie diz, distraidamente, com os dedos brincando pela borda da área iluminada pela luz da lua.

– Bem, minha tatataravó tinha razão em desejar segredos e a verdade é que ela não conseguiu nem a metade dos segredos de vocês.

– Sua o quê? – Ellie solta, junto com uma respiração alta.

Persephone ergue a cabeça para observar Ellie com superioridade.

– Você realmente acreditou que ela morreu naquela manhã, não foi? Acha mesmo que ela não sabia que você tentaria matar qualquer um que soubesse que você estava a meio passo de se tornar o Réquiem? Ela nunca deixou a escola, mas soube como se proteger. Ela não pretendia ficar na Alemanha por muito tempo e depois que foi declarada como morta pelas autoridades, foi fácil ir embora. Você só deixou a fuga dela mais fácil, Ellie. É a você que devemos agradecer o fato do clã de Deyah estar na Romênia.

Percebo que Ellie precisa de toda energia que possui no corpo para não estremecer.

– Eu estava me perguntando como ela não fugiu do Inferno e veio atrás de mim.

– Ela era mais esperta que Deyah. Preferia se associar com o diabo do que escapar de suas mãos para enlouquecer. Ninguém escolheria insanidade no lugar do poder. Apenas a insanidade que vem junto com ele. Além disso, qualquer pessoa com olhos pode ver que tem algo de muito errado com as portas do Inferno no momento. – Ellie se ergue, como se para ouvir melhor. O que quer que estivesse sentindo pelos novos fatos sobre Bianka, o sentimento foi embora com a mesma rapidez que chegou. – Continua acontecendo. – Persephone continua – As janelas. Não pararam. No ano novo uma lua gigante não prevista me impediu de ter uma noite de sono tranquila. O Inferno abriu as janelas para a saída de Ellie, mas eu duvido que tenham mantido abertas agora que a alma dela se normalizou. Tem algo de errado. Houve uma ruptura. Aparentemente, isso é vantagem para nós, é claro, mas a questão é que não só almas torturadas habitam o Inferno. Tudo que existe de maldito vem de lá. E se alguma coisa sair sem a permissão... Bem.

– Como assim "Bem"? – Sophie reclama – Eu pensei que você tivesse dito que era uma vidente. Onde está sua vidência agora?

– Eu sei sobre o meu destino. Não o do mundo inteiro. Coisas continuarão acontecendo depois que eu for incapaz de fazer algo a respeito...

– Escolha interessante de palavras. – Kat diz, apertando os olhos. – Seu destino não é a morte é? Você teria menos medo se fosse.

– Não tenho medo.

– Você é constituída de nada além de medo, Persephone. Graças a algum tipo de força de vontade sobrenatural você é o tipo de pessoa que sabe gastar suas energias em outras coisas e não se concentrar no que sente. Mas você tem medo. De quem é. Do que sabe. Do que precisa fazer. Cada parte do seu poder é abastecido e consumido pelo medo desolador que você tem. Você é uma criatura admirável, mas não pense que me ameaça mesmo que por um instante.

– Isso tudo não é sobre mim.

– Mas ainda assim você não me desmente.

Persephone suspira. Kat jogou baixo, mas ainda assim a garota passa longe de apresentar qualquer proximidade da perda de seu brilhante autocontrole. A cada momento ela parece mais perturbadoramente interessante. Como algo que você não quer ver e não pode deixar de olhar ao mesmo tempo.

As Crônicas de Kat - A História CompletaWhere stories live. Discover now