Capítulo 22 - Um Quase Ataque

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- Você ainda não explicou como sabia o que fazer durante a luta com a boiúna - Giovanna começou - Nem mesmo como libertou a cobra ou como sabia que ela não nos mataria no final de tudo. - Minha dama desfiava calmamente uma folha que pegara do chão.

- Verdade. Levei boitatá até você porque a vi brilhar, mas nada garantia que ela fosse a chave para nos ajudar. - Julie franziu o rosto pensativa - Muito menos que estava do nosso lado.

- Caso tenha esquecido, Hailey, você também apagou do nada durante a batalha. - Benjamin comentou, mexendo com um galho o fogo que estalava próximo a nossos pés, já que o tempo decidira esfriar - Aquilo foi bastante... assustador.

- É, parece que vocês têm muitas perguntas - Abri um pequeno sorriso - Bem, eu não sei como começar.

Estávamos sentados no chão de terra, as árvores se limitavam ao redor e seus galhos envergavam-se em nossa direção como uma espécie de cobertura feita de folhas. Todos ficaram próximos a fogueira que Caipora tinha construído a um tempo. Mais à frente nossas barracas já estavam montadas, aguardando-nos para mais uma tentativa de descanso com o máximo de conforto que dava para obter naquela floresta. A Caipora havia desaparecido nos últimos minutos, porém ela fazia isso com frequência, então não me preocupei. Mais cedo continuamos nosso caminho desviando de armadilhas e seres duvidosos, subimos colinas, atravessamos clareiras e pulamos troncos monstruosos. Também encontramos insetos enormes como os da caverna que apareceu durante minha missão do Coração da Sabedoria e isso foi o suficiente para que eu começasse a temer o que ainda podia vir pela frente. Eu queria distância de floresta por um bom tempo, era traumatizante e sufocante estar ali.

Horas mais tarde, quando a lua tomou seu lugar, finalmente atravessamos um conjunto de árvores com espaços estreitos e esmagadores - o que não foi algo muito agradável - até alcançarmos a nascente do rio.

- A parte final da cidade fica a poucos minutos daqui. Podemos continuar amanhã, pois acredito que já estejam muito cansados. - Caipora disse, ela deve ter percebido o quanto arrastávamos nosso corpo para tentar dar mais um passo.

Enquanto ela ia embora, nos virávamos para tomar banho com a água do rio, ficar atentos para mais nenhuma surpresa desagradável e trocar de roupa com o pouco de privacidade que as árvores nos oferecia. Tivemos que recolar a roupa que usamos ao chegar em Ludóra já que as que ganhamos estavam encharcadas. Retornamos ao acampamento e encontramos tudo montado. As barracas estavam em seus lugares, a fogueira acesa e a comida sendo feita por Caipora. Jantamos em silêncio até ela pedir licença e desaparecer no meio das árvores, o silêncio fez os questionamentos sobre os eventos anteriores começarem, sendo que depois das lutas seguidas e dos dias agitados, a única coisa que eu queria era uma boa noite de sono pesado para descansar minhas mente. Infelizmente, minha recente visão não vinha me deixando muito confiante quanto a isso.

- Minha conexão com Chidy tem estado mais forte - Respondi encarando o anel no meu dedo em forma de beija-flor - Tenho conversado com ela sem precisar pronunciar nada, ela me entende. Além disso, ela também tem me ajudado muito, hoje foi uma prova disso.

- Está dizendo que foi o beija-flor quem fez boitatá nos ajudar? - O rosto de Benjamin mostrava bem sua incompreensão com a descoberta.

- Acredito que sim, Chidy não costuma me responder, no entanto é coincidência demais que boitatá tenha brilhado e se agitado no exato momento em que pedi ajuda a ela.

- Eu não duvido, ela não é apenas um pássaro comum. Pertence aos deuses! Não me surpreenderia se a visse fazendo coisas ainda maiores. - Giovanna assentiu admirada.

- Não foi ela quem devolveu seus poderes? - Assenti para a pergunta de Julie - Uau!

- Foi, ela confirmou isso.

O Mistério de Allíshya - Perdida | Livro 03Leia esta história GRATUITAMENTE!