CAPÍTULO 22

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Acorde

          Dionísio está na praça principal de Europa. Ele está encostado em uma das colunas do lugar, que fazem homenagem a grandes civilizações do passado remoto. Dionísio olha com desejo as pessoas atraentes que passam por ele.

          — Não sei como conseguiu sobreviver sem sua irmã... — Uma voz feminina faz Dionísio sair do transe em que estava, observando uma jovem se afastando.

          — Ei! Vocês demoraram...

          — Tem sorte de termos vindo. Fale logo o que quer de nós. — Issa diz, impaciente.

          — Sei que não querem mais trabalhar com Heitor, mas...

          — Desde quando o grande Dionísio aceita ser garotinho de recados? — Eiko diz com ironia.

          — Calma! Não vim representando Heitor, muito pelo contrário. Tenho uma proposta pra vocês. Acho que irão se interessar... — O capitão pirata diz, sorrindo.

          Heitor leva as Munakata para uma das tabernas que ficam perto da praça. Os quatro conversam bastante, quando as irmãs vão embora, Dionísio envia uma mensagem para Heitor.

          — Elas lutarão do nosso lado. — A mensagem aparece no holograma do bracelete de Heitor. Ele comemora dentro da nave.

          Em uma caverna, no vasto deserto de Anúbis, em Marte, um grupo de mercenários encontra Artemísia adormecida.

          — Ei, veja! — Uma jovem mercenária chama o grupo ao ver a filha do Clã dormindo sobre o chão vermelho do solo marciano. Cinco mercenários se aproximam. O mais velho toma a frente.

          — Hum... pelas roupas, ela era aluna de Yby.

          — Yby? — A jovem que encontrou Artemísia pergunta.

          — Sim... Veja a marca da Casa gravada na calça, sobre a cocha da menina. — O líder do grupo diz. Artemísia acorda. O jovem líder se abaixa. — Olá, jovem mercenária! — Artemísia fica apreensiva ao ver que é observada por seis pessoas. — Não se assuste, somos mercenários também. Aquela é Marcela, meu nome é Momburu. — Artemísia se levanta. O mercenário se levanta também.

          — Sou Artemísia, fui discípula na Casa de Yby.

          Os mercenários se olham.

          — Então, Artemísia, como você bem sabe as Casas deixaram de existir após a guerra... — A mercenária diz — Agora nos organizamos em guildas. Momburu é o líder dessa guilda que estamos formando e, como a encontrei, te faço o convite pra fazer parte desse grupo. — Artemísia olha para os demais mercenários. A mercenária observa a venusiana. — E então? — A filha do Clã olha para Momburu, que sorri para ela.

          — Será uma grande honra pra mim! — Artemísia diz, sorrindo.

          — Bem-vinda à guilda Tapuia! — O líder do grupo passa o braço sobre o ombro de Artemísia. Os dois seguem abraçados, rodeados pelos demais integrantes da guilda, que comemoram a chegada de mais um membro.

          Na Lua, Dandara desperta e vai até o quarto de Yby. A antiga líder mercenária não está lá. A general vai até a sala onde está o corpo de Petra.

          — Não se preocupe, encontraremos outra forma... — Dandara diz, com a mão sobre o ombro de Yby.

          — Não entendo... fizemos tudo da forma como nos ensinou a discípula do templo da deusa...

          — Ela falou que sua energia vital era suficiente, mas deveria estar intacta, ou a deusa não usaria seu corpo como avatar... fizemos o ritual ao fim do ciclo anterior e você estava cansada, pois passamos a maior parte dele procurando a relíquia.

          — É... pode ser isso.

          — Venha! Se alimente e durma um pouco. Ao fim deste ciclo tentaremos outra vez.

          Dandara e Yby saem do grande salão.

          — Ei, seu cretino, me dá isso aqui... — Um jovem diz a outro que pegou seu copo sobre a mesa. A guilda Tapuia está reunida em uma taberna. Um drone chega com mais copos e uma garrafa, da qual serve uma bebida a todos. Artemísia pega o copo à sua frente.

          — Ei! Você não... — Momburu toma o copo da mão de Artemísia e vira o conteúdo de uma vez em sua boca.

          — O que é isso? — Artemísia pergunta enquanto observa todos beberem. O drone retorna com mais um copo e outra garrafa, agora de um líquido amarelo.

          — Tome, esse é pra você. O que nós bebemos é vinho... — Momburu diz.

          — Sim, você é muito novinha pra isso, tome seu leite de pindó. — Marcela diz.

          Os jovens mercenários brigam, riem e se divertem. Artemísia sente que encontrou um novo lar.

          Na saída da taberna, Marcela olha o quadro de recompensas enquanto Momburu e os demais seguem para as phantoms. O quadro fica ao lado da porta do estabelecimento. É uma grande tela holográfica. Marcela se interessa por um dos documentos e aciona seu bracelete, copiando seu conteúdo, que ela logo envia para os demais membros da guilda e então se dirige para as phantoms.

          — Bem, não era o que eu tinha em mente pra nossa primeira missão, mas acho que servirá como treinamento pros pirralhos. — Momburu diz, após ler o documento enviado por Marcela.

          — Desde quando enfrentar herculanos é algo fácil, Momburu... Vamos convocar outras guildas e dividir a recompensa.

          — Puxa, Marcela... São só herculanos. — Marcela coloca os óculos e sobe na phantom, em seguida desaparece no deserto. As outras phantoms a acompanham. Momburu ri e segue o grupo também.

          Na lua, outro ciclo chega ao fim. Yby tenta novamente fazer o ritual para receber a deusa que poderia trazer Petra de volta à vida. Dessa vez Yby não espera Dandara, que saiu para se encontrar com um antigo aliado da Casa de Kûara.

          Diante do corpo de Petra, Yby repete o mantra. Dessa vez a resposta da deusa é rápida. Em segundos, Yby se torna Hebe, a deusa grega da Juventude Eterna. Ela se aproxima de Petra, a olha serenamente e então materializa em sua mão a ambrosia, o alimento dos deuses.

          Hebe, no corpo de Yby, leva a ambrosia até os lábios de Petra. O alimento se torna luz e invade o corpo inerte, pela boca, então toma conta dele todo, iluminando a mercenária por inteiro. A deusa dá um beijo na boca da general e se afasta.

          Quando se afasta, Hebe deixa o corpo de Yby, que demora alguns segundos para retomar sua consciência. Yby se torna consciente a tempo de ver Petra despertando, retornando do reino dos mortos. Uma felicidade enorme toma conta da líder mercenária. Dandara se aproxima.

          — Você conseguiu! — Dandara diz, com os olhos cheios de lágrimas. Petra se levanta e olha para as duas guerreiras.

          — Espero não terem se livrado de Heitor sem mim. — Petra diz com sua expressão selvagem. Yby e Dandara sorriem.

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