¤ Capítulo 11 ¤

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"Se desabarmos em todo obstáculo que aparecer, nunca vamos conseguir vencer."

¤ Capítulo 11 ¤    

Seu casaco estava encharcado de alguma coisa quente, deixando-a totalmente arrepiada pela sensação fria da neve em seu corpo. Ana mal conseguia respirar, era muito pesado. Seus pulmões pareciam esmagados. E então... Ela respirou o doce ar fresco. E alguém estava tocando-a. Se sentiu desconfortável com aquilo, não gostava que tocassem nela.

— Você está bem? - a voz de um homem foi audível.

Reconheceu voz do cara do FBI.

Alguém levantou seu casaco junto com sua blusa. E ela finalmente abriu os olhos. Sua cabeça protestou.

— Precisamos de duas ambulâncias aqui em cima - ouviu uma pessoa dizer.

Duas? Quem se machucou?

Tentou levantar a cabeça, mas a impediram. Era realmente estranho o fato de ela estar preocupada com pessoas que nem conhecia. Mas eles estavam ali por sua causa.

— Você está me ouvindo? - o cara do FBI perguntou.

Qual é o nome dele? Acho que ele não disse.

— Você consegue ver alguma coisa? - ele perguntou.

Alguém tocou em sua barriga descoberta.

— É do cara - o cara do FBI disse.

— O que... - Ana começou, mas sua voz se perdeu.

Tentou levantar de novo, mas o homem a impediu.

— Fique assim - ele disse.

— Mas...

— Você bateu muito forte com a cabeça.

— Qual é o seu...

— Christian - ele respondeu.

_ Christian - ela sussurrou.

_ Isso aí - ele sorriu.

Ela sorriu de volta, ou pelo menos tentou, sua cabeça doía tanto que ela estava perdendo a habilidade de mandar em seu cérebro.

— É a ambulância - outra pessoa disse.

E de repente, houve um alvoroço de pessoas de branco ao seu redor. Ela queria dizer que não precisava ser levada daquele jeito... Mas, é, ela precisava sim.

— Você consegue enxergar? - uma mulher perguntou, aparecendo em seu campo de visão. - Está me ouvindo? Se estiver, aperte minha mão.

Ela pegou sua mão de forma gentil, e Ana tentou apertar. Conseguiu, pois a mulher concordou com a cabeça. Logo, ela estava em movimento. Ela queria dizer que não. Que ela não queria ir com eles, que ela queria ver o que estava acontecendo...

— Se acalme - a mulher disse, prendendo mais as tiras da maca ao seu corpo.

— Vai ficar tudo bem - Christian prometeu, apertando sua mão.

_ Fica... Fica comigo - pedi, os olhos pesando.

Ela não viu sua resposta ou escutou, apenas teve mais um aperto em sua mão e então ele a soltou. Antes de a colocarem na ambulância, pôde ver uma outra maca. A tatuagem nas costas da mão a fez perceber que era Jack. Ele parecia desacordado, manchado de vermelho. E então as portas da ambulância se fecharam, e seus olhos também - contra a sua vontade.

***

Ana acordou, mas não abriu os olhos. Sua mente estava muito confusa, e ela tinha medo do cenário que encontraria. Uma parte sua queria que tudo tivesse sido real. Essa com certeza era a parte maior. Mas tinha uma parte - que uma vez a decepcionou - que não acreditava no que aconteceu, aquela em que acredita que na verdade ela ainda estava no quarto de Jack, esperando as malditas correntes serem puxadas.

Sequestrada - Número 1970Leia esta história GRATUITAMENTE!