¤ Capítulo 10 ¤

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¤ Capítulo 10 ¤    

Jack quase surtou quando a aeromoça disse que iria atrasar mais alguns minutos e que o avião iria voltar para o chão. Ele parecia quase sentir alguma coisa, como se o perigo estivesse por perto. Irônico, por que para Ana ele era o único perigo ali.

— FBI - a voz de uma mulher foi ouvida, vinda da porta do avião.

— É claro - a voz de um homem respondeu, o piloto.

Ana olhou para o lado de fora, tentando respirar e regularizar seu coração. Por um lado, ela queria que eles descobrissem, de alguma forma, que ela havia sido sequestrada. Mas por outro lado, ela sentia medo do que Jack poderia fazer.

Será que ele lutaria com os policiais? E se ele tentasse matá-la?

Sua respiração foi se alterando. Jack segurou sua mão com uma força indestrutível. Ana tinha a impressão de que iria quebrar a qualquer momento. A garota fechou os olhos com força e tentou não pensar na dor.

Enquanto duas pessoas entravam no avião, armados e com o distintivo, Jack tirou o boné de Ana e soltou seu cabelo. 

O coração da garota já nem era mais coração.

Ele casualmente puxou a cabeça dela em sua direção e a fez deitar em seu ombro.

Os policiais chegaram até o casal do outro lado de onde eles estavam, Jack tirou algo da jaqueta e a fez olhar, apertando sua mão e depois a soltando. Era uma arma branca, travada, mas ainda assim uma arma. Ana não conhecia de armas, mas já viu muitos filmes de ação para saber que arma era aquela. Era uma pistola sem metal, impossível de ser detectada. Ele não tirou ela toda, apenas o cano. E isso foi o suficiente. Era um aviso claro para que Ana ficasse quieta. Ele a colocou de volta na jaqueta e se ajeitou no banco.

E a policial se virou para eles.

Jack respirou fundo e voltou a pegar a mão de Ana. Assim que a garota chegou perto demais, ele tirou a arma da jaqueta e atirou. Ana não conseguiu ver se ele acertou, ou se a mulher desviou. Quando Ana abriu os olhos depois do barulho ensurdecedor, ela já estava sendo arrastada pelas escadas do avião. As pessoas desceram também, e logo se fez uma multidão e Jack a segurou firme.

Aquela com certeza era a ideia: se perderem na multidão. No aeroporto, a multidão era maior ainda, as portas não eram mais de vidro, eram de aço. Não havia saídas. Jack puxou Ana para o meio das pessoas, a arma ainda em sua mão, até que ele se virou para trás e um puxou com força contra si. O outro detetive apontou a arma para ele. Houve um momento suspenso entre ali, uma escolha seria fatal. Mas ele não atirou, e Jack correu, ainda com Ana.

Por que ele não atirou?

Eles subiram uma escada, Jack ia empurrando todos que entravam em seu caminho. Ele abriu uma porta, e entrou. Um depósito, só que sem depósito de nada. Era só uma sala vazia. Estava escuro por causa das portas de aço. Ele abriu outra porta, e subiram outra escada, e outra, e outra.

Não podíamos ter ido de elevador? - pensou Ana sem fôlego.

Ela ofegou quando ele parou. Sua mão protestava, mas ela se desligou da dor e se concentrou em não desmaiar.

— Vem - ele disse, quando ela paralisou firme. - Você não quer que eu te carregue, né? Por que eu só vou fazer isso depois de atirar em você.

A ameaça foi suficiente.

A morena levantou a cabeça e começou a andar com ele. Conforme eles andavam, Ana conseguiu perceber o que estava acontecendo. Jack apontava a arma para sua barriga, enquanto olhava para trás, para os lados, para cima.

Sequestrada - Número 1970Leia esta história GRATUITAMENTE!