39 a cabana

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Como se não bastasse toda confusão e angústia com as quais estávamos lidando, Margot ainda aparece para tirar o pouco de sanidade que nos resta. Antes porém , que eu fizesse com ela o que tinha vontade o conde levantou-se da poltrona onde descansava um pouco antes de continuar as buscas.

- não ouse entrar em minha propriedade dessa maneira e falar dessa forma com a minha condessa! E eu assumi a minha paternidade, você só terá do menino o que eu permitir como pai!

- ora, meu bem, não vê que falo assim por está angustiada- falou enquanto fazia um bico ridículo e adotava um tom de voz extremamente irritante. - onde está o nosso garotinho?

Mais uma vez a fisionomia do conde voltou a extrema angústia, ao se dar conta mais uma vez, que não sabia onde o garoto estava, e nas várias possibilidades do que poderia ter acontecido.
Diante do seu silêncio, o chefe da guarda colocou a megera a par de tudo o que estava acontecendo, e sem pensar duas vezes ela se jogou nos braços do conde em extremo choro, choro esse que não me comovia nenhum pouco, pelo contrário, eu já estava indo tirar a cobra de cima do meu marido, quando Valentina percebeu a minha reação e me segurou pelo braço.

- não faça isso. É o que ela quer. Ela agora é a vítima e você a principal suspeita. Vai se repetir tudo novamente.- apesar da firmeza em sua voz, seus olhos estavam marejados, Valentina, mais do que ninguém, compreendia tudo o que eu havia passado, e o quanto essa possibilidade de que tudo se repetisse, ainda nos sensibilizava muito.- não vá, Claris.

Assenti e ela me soltou, mas, ainda me irritava profundamente que o conde não enxergasse aquela mulher da mesma forma que eu e não a recusasse.
Valentina realmente tinha razão, ela queria mesmo me afrontar, e quando notou que eu não iria confronta-la , soltou o conde e veio gritando em minha direção, com os olhos completamente borrados pelo choro.

- você me paga!- gritou, enquanto corria determinada até mim, e eu já me preparei para recebe-la devidamente.

Quando senti as suas mãos puxando os meus cabelos, não pensei duas vezes e fechei o punho como um cavalheiro, a acertando em cheio com toda minha raiva e força. Antes que pudesse continuar um verdadeiro exército nos apartava, mas agora eu já me sentia um pouco melhor.

- já chega! Ou terei que mandar prender as duas. Jhonson, leve a senhora para outro salão. Ninguém deverá sair até que tenhamos alguma conclusão do caso. O descanso foi o suficiente, montarei uma equipe e iremos mais uma vez a cabana, com a luz do dia encontraremos novas pistas.

- ficarei aqui e interrogarei alguns dos presentes - disse o chefe da guarda real, capitão broock, que acompanhava Genevieve. ela já tinha conversado com ele antes e contado a minha versão, ressaltando a sua total confiança em mim.

- claro, ficarei grato.

Apesar de exausto, Derek partiu novamente em buscas de novas pistas, eu fiquei junto com tina e genie aguardando o meu interrogatório. Após contar ao capitão broock tudo o que eu tinha vivido, foi a vez da babá, que eu até então nem mesmo sabia o nome, senhorita Dixon.

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- a senhorita tem consciência com o que está envolvida senhorita Dixon?

- até onde sei, não há prova alguma contra mim. - remeuxeu-se nervosamente na cadeira.

- será que a palavra da própria princesa não vale nada? Quer mesmo se envolver com a família real?
Eu trabalho a muito tempo com interrogatório senhorita Dixon, o suficiente para conhecer quem está mentindo- falou enquanto se aproximava mais da cadeira, intimidando-a com sua presença intensa.- para arrancar a verdade de alguém eu nem sempre sou tão cavalheiro, senhorita Dixon, mas, uma coisa é certa, eu sempre consigo a verdade.

A respiração da babá estava pesada, como se faltasse o ar no escritório onde estavam, e um suor começava a molhar seu pescoço e suas mãos, denunciando o quão nervosa estava agora.

- para sua sorte, senhorita Dixon, eu gostei de você, e se me contar logo a verdade, sairá daqui ilesa, mas... Eu não vou insistir, porque também gostaria muito de testar outros métodos com a senhorita...

- tttudo b bem- gaguejou num fio de voz- eu conto a verdade, mas, não é por outro motivo, senão pelo menino. O plano não aconteceu como deveria, não era pra ser assim.

Nesse instante a babá iniciou um choro profundo, soluçando e tremendo assustada.

- o que não deveria acontecer?

A mulher puxou o ar com força, tentando recuperar o controle, teria que continuar agora.

- eu sou babá do menino, desde que nasceu, a mãe sequer quis amamenta-lo. Após ser retirada do testamento do barão, a senhora margot me confessou sempre ter sido apaixonada pelo atual conde, mas que na época que o conheceu ele não tinha muita coisa pra oferecer, então quando soube que havia casado pediu a minha ajuda para conquista-lo, e me prometeu uma boa quantia pra isso.
Quando chegamos aqui, o conde não a recebeu como ela esperava, ela me propôs ficar aqui com o David, no momento oportuno eu deveria tirar o menino da madastra, e levá-lo até a cabana, somente até o conde por a culpa de tudo na condessa e odia-la. Nesse momento ela voltaria como uma mãe que sofre, e juntos recuperariam o menino e se reconciliariam.

- o que mudou então?

- a senhora margot demorou muito a aparecer, comecei a me preocupar com a criança sozinha na cabana já escura, então resolvi contar logo que tinha visto a condessa o levando. Mas então... O menino não estava mais lá, os guardas se envolveram, a própria princesa está aqui, tudo deu errado!

- como a geleia e o broche da condessa foram parar na cabana?

- eu não fiz tudo sozinha, a senhora margot já estava na cidade há alguns dias. Enquanto eu me aproximava do menino, ela ficou de espreita aguardando o momento em que a senhora Benson o procuraria, para pegar alguns dos objetos que estavam alí para servirem como provas. O broche foi apenas um golpe de sorte, ao correr a procura do menino ele caiu no chão e a condessa não percebeu. Eu já tinha ido ao seu quarto e pego uma de suas jóias para usar como prova, mas, algo que ela estava usando na hora do desaparecimento seria muito mais real. Fomos juntas até a cabana, e no caminho eu percebi que pra senhora Margot nada disso era por amor, tratava-se apenas de interesse. Uma mãe que deixa o filho no mato, numa cabana sozinho não ama ninguém.

- e mesmo assim continuou com o plano?

- ela garantiu que logo ele seria resgatado, e eu não tive coragem de deixá-lo, por isso voltei primeiro e ela ficou de vir em seguida.

- você testemunhou contra a condessa e agora contra a baronesa viúva. Como saberemos qual versão é a verdadeira? Tem alguma prova?

a protegida do reiOnde as histórias ganham vida. Descobre agora