CAPÍTULO 20

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A Fuga

          A guerra entre as forças de Yby e de Heitor segue de forma sangrenta, mas como nela só há mercenários, códigos de honra são respeitados. Um deles é não misturar guerreiros muito avançados com guerreiros no começo de seus treinamentos. A batalha do centro é a batalha dos veteranos e as batalhas na periferia acontecem entre os novatos, assim, Artemísia luta em uma batalha distante do conflito principal.

          Na batalha do centro, todos os guerreiros dão o melhor de si, pois sabem que essa é uma oportunidade rara, de morrer com honra pelas mãos de algum bravo guerreiro. Petra sente um prazer intenso em fazer parte disso e mata seus oponentes com satisfação e muito respeito.


          — Em breve estaremos juntos, irmão! — Petra diz, agachada e de olhos fechados, enquanto põe uma das mãos sobre o peito do guerreiro do qual acabou de tirar a vida. Após se despedir do mercenário, Petra se levanta e retorna para seu posto de general. — VAMOS! E NÃO TENHAM PRESSA DE DEIXAR ESSE MUNDO... — Petra grita para os guerreiros, com sua espada erguida e demonstrando muita bravura.

          Os mercenários gritam enfurecidos e se jogam com mais paixão no combate. Petra sorri com prazer, de forma ofegante, e corre para seu próximo oponente, como se fosse um animal feroz prestes a devorar sua presa. As duas espadas se chocam e Petra pode olhar nos olhos do oponente. Ela sorri. Ele sorri de volta. Os dois carregam a mesma paixão por testar a morte a cada instante. Os oponentes se empurram e voltam a lutar, em meio aos combates.

          Yby e Dandara correm à frente de suas tropas.

          — ESCUDOS! — Yby grita, ao ver uma rajada de flechas de energia se aproximando. Os guerreiros acionam seus escudos de energia que, unidos, criam um campo de proteção para todos.

          Após caírem as flechas, Dandara convoca seus arqueiros.

          — FLECHAS! — A general grita. Três grupos de arqueiros se revezam, fazendo com que as flechas de suas tropas cheguem em tempos diferentes até as tropas do oponente. Vários guerreiros são feridos no lado de Heitor, que contra-ataca com mais flechas. Os drones, dos dois lados, seguem dando apoio, atirando com seus pequenos canhões a laser.

          Em meio aos ataques de flechas, os dois lados avançam, até que colidem, com os guerreiros mais valentes à frente. Yby luta, com sua espada, contra dois oponentes, um homem e uma mulher. Heitor segue matando de forma insana. Os dois avançam na batalha, até que ficam frente a frente.

          Quando os olhares de Yby e de Heitor se encontram, os dois ficam cegos de ódio. Não conseguem ver mais nada ao redor. Os dois estão sujos de poeira e sangue. Há ferimentos em seus corpos. Eles se olham por alguns instantes, como se estivessem se matando mentalmente. Yby quebra o silêncio.

          — Será uma grande honra te enviar para o outro mundo... Heitor. — Yby diz, com raiva.

          — Só acredito neste mundo, Yby, e nele não há espaço para nós dois... mas já que acredita em outro mundo, ficarei feliz em te enviar para lá. — Heitor diz, de forma irônica. Yby avança com ódio, segurando a base de sua espada com as duas mãos. Heitor a aguarda, com expressão séria e postura imponente.

          Heitor se prepara para se defender do golpe violento da espada de Yby, mas, ao se aproximar, a mercenária não ataca com a espada, ela se joga no chão, atropelando Heitor, que cai e quase bate a cabeça, mas se recupera logo do tombo e fica de pé, atordoado com o golpe que o pegou de surpresa.

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