➡ Post Alternativo I ✍

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Texto produzido por Vivian_aquino

Tema Racismo

Como se já não bastasse eu ter sido adotada, tinha que morar em um bairro onde a maioria de seus habitantes é negra.

O meu nome é Emma Carter, tenho quarenta e cinco anos de idade e já morei no Leste da Troost Avenue, em Kansas City, lado mais pobre e marca da divisão racial da cidade.

Na juventude, eu me perguntava o porquê de ter sido adotada por pessoas negras. Eu sou branca, loira e tenho olhos claros; sou completamente diferente deles. Por que me adotaram?

Quando eu era criança, não ligava muito para a nossa diferença de cor, mas após entrar na adolescência e ver os meus vizinhos me olhando de forma estranha, me sentia incomodada, não que eles não olhavam antes, mas daquela vez, eu sabia qual era o motivo...

Eu era a única garota branca do bairro.

Não me orgulho de ter tido que mentir para os meus amigos do colégio, dizendo que os meus pais eram ricos e que morávamos no bairro mais nobre da cidade. Tinha vergonha de falar que os meus pais biológicos tinham me abandonado, que eu fui parar em um orfanato e fui adotada por uma família de negros. Apesar de amá-los muito, sentia vergonha deles, e isso era péssimo.

Sofri racismo e acabei me tornando uma pessoa racista também.

Não queria que ninguém soubesse que os meus pais e irmãos eram negros. Quando saíamos juntos, eu dizia para todos fingirem que éramos apenas conhecidos. A minha mãe ficava magoada, mas eu não voltava atrás com as minhas ideias.

Certo dia, eu estava numa praça com duas amigas, quando a minha mãe apareceu com o meu irmão mais velho. Ela disse que já estava na hora de voltar para casa, pois estava ficando tarde. Briguei com ela, fingindo que ela era uma louca e que eu nunca a tinha visto em minha vida. As minhas amigas me ajudaram com as ofensas, fazendo-a chorar copiosamente. O meu irmão defendeu a nossa mãe bravamente, enquanto eu cuspia palavras ofensivas sem me preocupar com os sentimentos dela.

Eu só pensava que as meninas não poderiam descobrir que aquela mulher era a minha mãe. Tinha medo de elas zombarem de mim, de não quererem mais ficar comigo por morar com pessoas com a aparência diferente da nossa.

Antes de o meu irmão ir embora e levar a nossa mãe junto, ele me deixou uma frase: "um dia, você vai se arrepender pelo que fez".

Eu apenas dei de ombros e voltei a conversar com as minhas amigas; o nosso novo assunto era a minha mãe, a qual eu dizia não conhecer. As meninas falavam um monte de coisas horríveis a respeito dela, e ouvir tudo aquilo estava me deixando muito mal, mas eu não tinha coragem de falar nada ao contrário, então sorria, fingindo estar achando graça.

Quando voltei para casa, percebi que o clima estava muito tenso. O meu pai e os meus outros irmãos me encaravam com expressões de decepção na face. Eu tinha feito algo horrível com a minha mãe.

Mas em invés de brigar comigo, ela simplesmente me abraçou e perguntou o porquê de eu ter voltado para casa tão tarde, e ainda disse que havia ficado preocupada.

Aquilo me destruiu por dentro.

Uma semana depois, eu entendi a frase que o meu irmão disse. A mulher que cuidou de mim, com tanto amor e carinho, que sempre me defendeu quando os vizinhos me chamavam de branquela, mesmo quando eu fazia o contrário, quando era ela quem sofria o racismo, que me tratou como se eu fosse a sua filha de sangue... essa mulher saiu para comprar algo no mercado, e antes de ir, me chamou para acompanhá-la, mas eu neguei o seu convite, e nesse mesmo dia, a minha mãe se deparou com um grupo de racistas, que no mesmo instante que a viram, trataram logo de cercá-la e espancá-la até a morte.

O meu coração dói sempre que me lembro desse dia. Passei anos me culpando por não ter ido com ela, mesmo sabendo que não iria poder fazer nada, mas só em pensar que eu poderia estar naquela situação difícil com ela, dando a entender que eu a amava muito e que ela poderia sempre contar comigo para o que desse e viesse... cara... acredito que ia valer muito a pena apanhar e morrer...

Porque eu estaria com a minha mãe ao meu lado, enfrentando essa violência junto com ela,  que foi obrigada a passar.

Choro todos os dias quando me recordo das vezes que a tratei mal. Ela não tinha nada de mais, nada de estranho...

Ela era negra, eu sou branca, e daí?

Eu sou humana, ela também era; eu sou mulher, ela também era; eu tenho sonhos, ela também tinha; eu fico triste, ela também ficava... acho que até mais do que eu.

Sinto tanto por não ter pedido perdão. Arrependo-me grandemente por tudo que fiz, mas agora é tarde demais para se arrepender de algo.

***

Olá, leitores!

Tudo bem?

Espero que esteja tudo ok. ☺

Bom, depois do texto lido acima, parece que o negócio ficou sério, né? 😕 Apesar de ser a realidade de muitas pessoas, dentro de situações, momentos e fatos diferenciados, a sensação de cada envolvido acerca das consequências é extremamente pessoal, particular. Existem preconceitos por todo lado, e só pode ser sentido por aqueles que se tornam alvo de tamanha falta de respeito.

Recentemente, muitos casos foram informados às autoridades, incluindo por parte de crianças. Isso não é novidade, muito pelo contrário. É um caso sério, que precisa ser discutido e debatido.

Enfim... Espero que o texto acima tenha levado a vocês alguma reflexão a respeito, afinal o assunto merece destaque para que seja combatido o mais urgente possível.

Peço que vocês deixem nos comentários 👉 relatos de quem já tenha passado por isso, ou se alguém conhece uma pessoa que enfrentou tal ato.

Obrigado por ter lido até aqui, e esta semana será postado outro texto falando sobre outro assunto que aborda o preconceito.

Tchau, e até a próxima. ☺

Abraços...

Abraços

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