CAPÍTULO 17

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Desvio meu olhar e vejo minha mãe de braços dados com meu pai. Estão bem arrumados, meu pai em um paletó impecável e mamãe em um vestido de gala espetácular num tom de azul.

Olhei para Mayson, ele sorri para mim e eu corro até meus pais, me aninho nos braços dos dois, não ligo para a sujeira que devo estar deixando na roupa deles.

- Minha linda - minha mãe começa segurando meu rosto com ambas as mãos - como você está linda!

- Obrigada - digo a olhando nos olhos, ainda não consigo acreditar que não são meus pais biológicos, não queria que fosse verdade.

- Temos que conversa meu amor - meu pai diz ainda com um olhar sereno.

Apenas assinto com a cabeça.

Me lembro de Mayson. Olho para trás e ele está parado olhando para nós.

- Mãe, pai - aceno para que ele se aproxime - esse é o princípe Mayson. - tratá-lo com o título é normal e estranho ao mesmo tempo. Acho que por nos últimos dias nem ao menos citar a palavra 'pricípe'.

- É um imenso prazer - ele diz depositando um beijinho na mão da minha mãe tão suave quanto o que deu em minha mão no dia que nos conhecemos.

Minha mãe sorri diante do gesto, já meu pai permanece sério.

Mayson aperta sua mão e ele apenas esboça um sorriso amarelo.

- Mayson, vou entrar, preciso de um banho - aponto para meu vestido.

- É claro princesa - olho séria para ele, que faz uma breve reverência - nos vemos no baile.

Não tenho planos para voltar ao baile. Porém não digo nada, apenas assinto sorrindo e saio agarrada aos meus pais.

Entramos pela porta dos fundos. Passamos pelo enorme corredor onde são feitas as entregas de abastecimento do castelo. O lugar é grande. Um espaço vazio no momento, mas acredito que lotado durante a semana.

Depois de uns segundos já estamos em meu quarto.

- Sinto muito pelo o que aconteceu filha.

- A que a senhora se refere? - digo olhando em seus olhos. Meu pai está sentado em uma das poltronas ao lado da cama, enquanto minha mãe se acomoda na cadeira da escrivaninha.

Procuro um lenço para começar a me limpar. Estou grudenta pelo chocolate.

- A tudo. Em especial por não te contar. Nós...

Sorrio e balanço a cabeça.

- Tudo bem. Mãe, não sei o motivo de me esconderem isso, mas não acho correto jugá-los - jogo no lixo o lenço e pego outro - provavelmente tiveram um bom motivo para fazer isso.

Minha mãe apenas sorri.

- Você sempre será nossa filhinha. - meu pai diz sorrindo. Não parece estar a vontade na roupa que usa, nem eu estou a vontade nesse vestido. Ambos nunca usamos nada do tipo.

- Pois bem. Se prepare para ir para o restinho de seu baile filha.

- Não vou voltar mãe. - digo me sentando em frente à penteadeira.

- É claro que vai - ela insiste - meu amor, uma princesa. Ainda não consigo digerir a ideia de ficar longe de você.

Tenho votade de grita que sinto o mesmo, voltar para casa e ficar lá. Antes que eu possa fazer isso ela diz:

- Mas sabe o que vejo? - ela me encara pelo espelho - Uma nova chance para nosso país.

Quase não consigo me conter. Lágrimas ameaçam fortemente cair. Mas não permito. Apenas sorrio.

Uma Coroa em Minha Vida    [CONCLUÍDO]Onde as histórias ganham vida. Descobre agora