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Ao sair do quarto de Margot,  fui direto ao quarto de claris. Normalmente dormíamos juntos, mas com toda essa situação,  acabamos em quartos separados.  Antes que entrasse em seu aposento ela abriu a porta, e já se preparava para sair.

-claris, espero que tenha dormido bem, a minha noite foi péssima.

Ela me olha com cara de poucos amigos, que me dá vontade de beijá-la ali mesmo no corredor.

- como acha que dormi,  milorde?  Sabendo que sua amante repousa a alguns quartos do meu, aliás,  espero que esta situação já tenha se resolvido.

-claro,  já pedi a Margot que se retirasse dessa casa, ela amanheceu doente, mas assim que se sentir melhor irá partir.

Revirou os olhos e deu um sorriso debochado.

-coitadinha, claro que amanheceria mal. Me procure novamente  quando sua hóspede já houver partido. Se é que partirar. Caso contrário,  sejam felizes aqui e eu mesma sairei.    

E me deixou plantado aqui no meio do corredor. Ela tem razão,  preciso resolver isso hoje.

Volto ao quarto de Margot,  e para , minha surpresa ela estava de pé arrumando as coisas numa mala.

- melhorou?

-meu bem, a sua presença deve ter me regenerado. - aproximou-se tocando o meu rosto.- aceitarei sua proposta, ficarei hospedada em sua propriedade, mas... peço um último favor em nome de todo amor que já sentimos um pelo outro.deixe a criança ficar. Ele precisa da atenção do pai. Posso vê-lo em alguns dias, pra que o menino não sinta a minha falta.

-claro. Fico feliz, que estejamos resolvendo tudo em paz, também quero essa reaproximação com meu filho.

Naquele momento eu não poderia ver um desfecho melhor para toda aquela situação.  Não sei o que houve com Margot,  talvez tenha amadurecido com a maternidade, mas, seja lá o que tenha acontecido favoreceu a todos nós.  E agora que tínhamos uma criança,  precisávamos nos entender.

A presença de Margot em casa, estava me deixando confuso a respeito dos meus sentimentos.  Eu a amei tanto assim no pasado? Sempre esperei que ao revê-la fosse me desestabilizar,  mas agora eu aguardo a sua partida sem nenhum ressentimento.  E o meu desejo de que claris não se machuque com isso tudo é imenso. Ela se tornou tão importante pra mim, e derrepente só ela parece ocupar meus pensamentos.  Aguardarei que Margot realmente se vá,  para poder falar com ela, não quero que nada disso interfira entre nós.

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Claris

Após o desjejum fui a biblioteca e escrevi a genevieve e valentina, contando tudo o que estava acontecendo comigo. Gostaria de aproveitar melhor minha manhã e resolver algumas pendências com os criados, mas diante de tudo,  tenho andado com medo, dentro de minha própria casa. Medo de esbarrar com aquela mulher horrível,  medo de  lidar com o filho dela com o meu marido, medo de descobrir que  estão juntos de fato e eu sou apenas um empecilho entre eles. Saio da biblioteca e vou até  a sala de música,  a mesma onde o Derek tocou pra mim, esse lugar me trás  um pouco de paz e me faz fugir um pouco de toda esta realidade. Infelizmente quando me sento no piano e me preparo para tocá-lo,  ouço a porta abrir atrás de mim, e o perfume nauseante,  mais uma vez invade os meus sentidos, antes mesmo que eu me vire pra odiosa mulher.

-parece que cheguei em boa hora. Adoro o som do piano, adorava quando Derek tocava pra mim.- respiro fundo.

-o que está fazendo aqui? Pensei que estava doente, ou pelo menos fingindo que estava.

-vim apenas me despedir. Derek me convenceu, que ficaremos mais avontade se eu me instalar em outra propriedade. Na capital, assim,  não será mais segredo para ninguém que somos amantes de fato.

- então você é mesmo do tipo que se orgulha por ser amante? É realmente pior do que imaginei. Parta da minha casa agora mesmo, e me deixe em paz, se quer me fazer perder o controle não vai conseguir.  Fui criada como uma princesa no castelo do próprio rei, e se você não fosse tão vulgar poderia até lhe dar lições de etiqueta,  que obviamente você não teve. O que fará fora dessa casa com o conde não me interessa.

Ela gargalhou debochada e continuou parada atrás de mim. Minhas palavras desmentiam tudo o que eu estava sentindo. Minha vontade era sim de voar em cima dela e sua vida com o conde, onde quer que fosse, me atingia profundamente.

- você não me engana, milady.  Sinto o quanto está perturbada com minha presença.pena,  pra você,  que o meu incômodo está apenas começando.  Até logo.

Eu fechava os punhos com tanta força que as marcas das unhas estavam em minhas mãos.  O que a felicidade tinha contra mim afinal?

a protegida do reiOnde as histórias ganham vida. Descobre agora