Capítulo 43

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Ele sabia. Ela ficou ao lado dele o tempo todo. Viu o sangue, a sutura, a cauterização, a febre e os calafrios violentos. Ele sentiu a presença dela ao seu lado, os braços que o seguraram quando não conseguia parar de tremer sozinho. Seu aroma tênue de lavanda e a doçura que o alcançavam mesmo enquanto dormia. E os sonhos... Ele sonhou com ela dia e noite, e pela primeira vez em sua vida não tinha nada de frio, escuro ou solitário nessas fantasias. Elas estavam inundadas de mais cor e luz do que uma tenda de circo.

Os ombros dela estremeceram de novo. Ela estaria rindo dele?

Ele deu um suspiro para provocá-la e se arrependeu de imediato. Até suspirar doía.

— O que eu fiz de tão engraçado agora?

Ela não respondeu. Porque, do mesmo modo suave que riu alguns minutos antes, tinha começado a chorar.

— Eu tive tanto medo.

— Está tudo bem, mo chridhe. Está tudo bem. Eu estou aqui agora. E não irei deixá-la.

Ele inclinou o lindo rosto dela para o seu. E então a beijou. Como não poderia fazê-lo? Se ele tentasse falar, não conseguiria. Não havia palavras para descrever as emoções que inundavam seu peito. Seu coração martelava com tanta violência que ele temia que as costelas pudessem quebrar de novo – dessa vez por dentro. Ou então elas explodiriam pressionadas pelo inchaço crescente de sentimentos que se avolumavam. Alegria demais. Toda aquela emoção tinha que ir para algum lugar, ou aquilo com certeza o mataria. Um beijo era a única resposta. Emma correspondeu ao carinho, como se a vida dela também dependesse daquilo, e deslizou seus dedos pelo cabelo úmido de Killian para segurá-lo com firmeza. Por baixo dos lençóis, partes adormecidas dele começaram a se mexer e afirmar sua vitalidade, fazendo exigências. Nós ainda não estamos mortas, disseram.

— Eu te quero — ele sussurrou, puxando o decote do vestido dela e se inclinando para beijá-la no pescoço. — Aqui. Agora. Emma, eu preciso de você.

Eu te amo. Deus, como eu te amo. Esse pensamento passou pela cabeça dele e Killian combateu o instinto de afastá-lo. Ele não disse em voz alta – mas também não esmagou aquela ideia como se fosse um inseto. Só isso já foi uma vitória.

Ele levou a mão até o seio dela, provocando o mamilo até ele formar um bico duro, então enfiou os dedos por baixo do decote rendado do vestido azul-claro para sentir o calor delicado da pele dela. Um rugido possessivo ecoou no peito dele.

— Killian...

Apesar do tom de repreensão de Emma, ela deixou que ele a rolasse para o lado, dando-lhe mais espaço para atacar o lóbulo de sua orelha.

— Deixe que eu a possua, mo chridhe. — Ele enfiou a mão dentro do espartilho, envolvendo o seio. — Nós não vamos ser interrompidos.

— Killian... — Ela se afastou com evidente pesar. — Gepeto disse nada de exercício intenso. Você sabe que não posso ignorar as ordens dele. Eu me preocupo muito com você.

Ele deixou a cabeça cair no travesseiro.

— Então... — Ela foi com os dedos até o centro do peito enfaixado dele, até alcançar o osso esterno. Então seus olhos procuraram os dele. — Nós vamos ter que tomar muito, muito cuidado.

Sim. Céus, sim!

— Eu posso ser cuidadoso. Eu posso ser muito cuidadoso. — Killian estendeu a

mão para ela.

— Quieto. — Ela encostou dois dedos no peito dele e o empurrou contra a cama – suave, mas firmemente. — Sou eu que vou tomar cuidado. Deixe que eu faça tudo.

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