CAPÍTULO 19

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A Primeira Batalha

          Uma das atitudes tomadas por Yby para se preparar contra o ataque de Heitor foi entrar em contato com ele para que pudessem definir os termos da batalha. Sem a vantagem do ataque surpresa, e para não piorar sua imagem entre os mercenários, Heitor aceita os termos. A batalha deveria acontecer no deserto, para que a população de Marte não sofresse com possíveis danos causados no confronto. Também ficou definido que o lado perdedor aceitaria a derrota e que as desavenças entre Heitor e Yby terminariam ali.

          A conversa entre Yby e Heitor foi acompanhada pelos Governadores de Apolo, para que Heitor se sentisse obrigado a honrar com o acordo. Antes da proposta dos termos da batalha, os Governadores tentaram um acordo de paz entre as Casas, mas nem Heitor e nem Yby aceitaram a proposta. Assim, a última batalha da guerra entre as Casas deve acontecer no deserto de Anúbis, em Marte.

          No deserto, Yby vê naves mercenárias pousando ao longe, onde Heitor está terminando de organizar suas tropas. Do lado de Yby, o acampamento já está em ordem, os últimos soldados chegam em suas phantoms. Kamikia medita com Artemísia sobre uma rocha, atrás do acampamento. Dandara se aproxima e se abaixa perto de Kamikia.

          — A culpa não foi sua... — Kamikia diz, ainda com os olhos fechados.

          — Não me culpo pela morte de Malik. — Dandara responde, Kamikia abre os olhos e olha para ela.

          — Eu sei... você se sente culpada por ele ter morrido sem saber que seu amor era correspondido. — Kamikia diz, serenamente. Dandara olha para o horizonte. — Mas não se culpe, Malik não sabia lidar com o que sentia, e hoje me pergunto se o que ele sentia era de fato amor ou se era somente uma força magnética, que o impelia a cumprir seu destino.

          — E quem disse que essa força não pode ser chamada de amor? — A mercenária diz, olhando para a linha do horizonte, então se levanta. Kamikia se levanta também. Artemísia continua meditando profundamente.

          — Malik foi um bom mestre pra ela... — Dandara comenta, olhando para Artemísia.

          — E não poderia ser diferente, foi indicado por Andyrá.

          — O que será do destino dela após essa batalha? Malik já se foi e, provavelmente, muitos de nós também não estaremos mais aqui quando essa guerra chegar ao fim. — Dandara comenta, com tristeza.

          — Pelo que sei, o destino dela é muito grande... mesmo que sofra, nada será capaz de fazê-la sucumbir. Mesmo que nenhum de nós sobreviva a essa batalha, Artemísia sobreviverá e encontrará novos guardiões, até que possa seguir sozinha a sua jornada. — Kamikia diz olhando para Artemísia, então vira o olhar para Dandara. — E quanto a nós... não há maior honra que morrer lutando, ainda mais contra oponentes tão nobres. — Os dois riem.

          — Você está certo. Vamos ajudar Yby a organizar as tropas.

          Os dois se afastam de Artemísia. O sol começa a se por.

          No acampamento, Yby se reúne com os generais para definir as manobras de ataque. Informações sobre os emancipados são compartilhadas. Dandara e Kamikia se juntam ao grupo.

          — Precisamos fortalecer a defesa, agora que já anoiteceu. — Um general diz, ao ver um pequeno drone, de Heitor, sobrevoando o acampamento.

          — Não se preocupe. Heitor só quer informações sobre o tamanho do exército que irá enfrentar, mas o orgulho dele não permitirá um ataque covarde na escuridão. — Yby comenta. Uma mercenária conversa com Danadara, ao fim da conversa, Dandara vai até a líder da Casa.

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