CAPÍTULO XVIII

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Não se falava de outra coisa no Liceu América. Samuel Bianchi era um cara muito popular, então era inevitável que os adolescentes falassem sobre isso. E até mesmo quem nem fazia ideia de quem ele era estava comentando, afinal de contas era realmente uma bomba. Quem poderia imaginar uma coisa dessas?

João Pedro descobriu sobre isso logo na primeira aula da manhã, quando ouviu a conversa de um grupo de garotas no fundo da sala. Era como se seu cérebro reconhecesse o nome de Samuel no meio de tantas vozes. João achou que tinha ouvido errado, mas não demorou muito para outras pessoas entrarem no assunto. Logo a classe inteira estava falando sobre o fato de Samuel Bianchi ter saído do armário.

-Ele fez um textão no facebook ontem – Um garoto da classe dissera – Dando a entender que era bissexual.

-É sério que alguém achava que ele fosse hétero? – Uma menina comentou – Gente, tava tão na cara.

-Na cara pra quem? O cara tem mó jeito de macho, namora uma garota e tal.

-Por isso tá todo mundo surpreso.

-Pra mim ele sempre teve cara de quem dá o cú.

-Parem de estereotipar as pessoas. E existem muitos bissexuais sabiam?

-Ele veio pra escola hoje?

-Não. Nem a namorada dele.

-Coitada.

-Coitada por quê?

-Imagina se você soubesse que o seu namorado curte macho também? Como você ia ficar?

-Eu não ligaria.

-Eu ligaria. Para mim não ia dar, mas nada contra.

-Será que eles vão terminar?

-Vai ver ela já sabia.

-Duvido.

João Pedro ouvia a conversa da sala completamente calado. Ele mandou uma mensagem para Renan a respeito disso, mas não obteve uma resposta rápida. Estava louco para conversar com o melhor amigo sobre isso. Se os colegas de turma soubessem do seu envolvimento com Samuel...

Mais tarde, quando as aulas acabaram, João Pedro saiu apressado do Liceu América e foi se encontrar com Renan perto de sua casa. O amigo já estava ali esperando por ele, na esquina em que geralmente se encontravam. Ambos usavam o uniforme de seus respectivos colégios, bermudas jeans, tênis e carregavam mochilas nas costas.

-Eai – Disse João sorrindo – Chegou agora?

-Já faz uns cinco minutos.

-O sinal tocou e eu sai correndo, sem falar com ninguém. Tô até meio ofegante.

-Relaxa, pra que a pressa?

-Não sei. Eu estava louco pra falar com você sobre essa história do Samuel.

-Mano, até na minha escola comentaram acredita? Eu não sabia que ele era tão popular.

-Nem eu.

-Desculpa demorar pra responder as mensagens, é que eu deixei o celular dentro da mochila e esqueci.

-Tudo bem. É bem melhor falar pessoalmente. Fora que no Liceu é meio embaçado usar o celular na aula.

-Por quê você acha que ele fez isso?

-Tu leu o post dele?

-Ainda não, o quê dizia?

-O texto é bem grande e enigmático. Mas tá na cara que ele se assumiu. Nunca pensei que o Samuel fosse fazer isso...

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