III

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As coisas que estavam no caderno de Célia me fizeram pensar muito. Será que ela estava mesmo tendo alucinações ou realmente algo sobrenatural estava atrás dela. Fui novamente ao cemitério conversar com o zelador, dei uma desculpa de que estava de passagem para visitar um túmulo de algum parente para poder puxar papo.

Conversamos sobre Célia, e como um papo puxa o outro, chegamos no tal gato. Ele me contou sobre a morte e que sabia que Célia havia matado o bichano, caminhou comigo até a frente da capela e apontou para um olho vivo que tem lá, então me levou até seu escritório que ficava embaixo da capela e abriu um arquivo no computador. O arquivo estava salvo com a data e horário em que Célia chutava o gato, ele pediu se eu queria ver e respondi que não. Por fim ele disse que ninguém ficava impune das coisas ruins que faziam.

Sai com a certeza de que ele tinha alguma coisa por trás da morte de Célia. No dia seguinte aguardei até o horário dele deixar o cemitério e fui conversar com os guardas sobre ele. Descobri pouca coisa, mas do pouco que descobri, uma coisa me chamou atenção. O zelador se chamava José Carlos e depois que saia do cemitério ele atendia pessoas em um porão alugado como um tipo de curandeiro, pai de santo, não sei a nomenclatura ao certo, fazendo orações para ajudar pessoas.

Conversei com o dono do local, ele me disse que não acreditava muito no que José fazia, mas como ele pagava o aluguel todo mês certo ele deixava José fazer os atendimento. Logo depois, disse que havia esquecido uma chave no porão e que se ele podia me levar até lá para procurar, que precisava da chave. Ele me levou sem problemas, nem ligou para José perguntando se podia levar alguém no porão ou não.

Chegando lá ele falou para eu ir sozinho, que achava o local assustador mesmo não acreditando.

O local era pequeno, apenas uma grande sala, dois quartos e um banheiro. Vasculhei um quarto e o banheiro e não encontrei nada. Quando fui abrir a porta do outro quarto vi que estava trancada. Com um clips eu abri ela e o que vi não sai da minha cabeça até hoje.

O quarto era apenas iluminado por grandes velas com uma chama vermelha muito forte, elas formavam um círculo e no centro dele havia um altar de madeira, uma madeira velha que parecia podre e, em cima desse altar, sobre um pano branco, estava o gato.    

Os Olhos Do InfernoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora