¤ Capítulo 8 ¤

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¤ Capítulo 8 ¤  

"Eu era definitivamente um problema. Um fora da casinha sem solução. Minha mente era uma bagunça, e por várias vezes duvidei da minha própria sanidade."


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Ana penteava o cabelo, se encarando no espelho com certa irritação. Ela estava muito irritada naquele dia, nem sabia o por quê. O problema era que todos os dias eram tão iguais. Acordar, tomar banho, comer, olhar para a cara de Jack, escutar ele falando com aquela voz demoníaca esquisita, e então dormir de novo por quanto tempo conseguir - quando Hyde estava bom humor e não queria soltar o inferno em Ana.

A garota suspirou e colocou a escova na mesa, olhou fixamente para ela e desejou que fosse afiada o suficiente para machucar Jack.

Mas não era! 

Nada naquele lugar era.

Ela precisava parar de pensar naquelas coisas. Se Jack descobrisse que ela planejava machucá-lo, ele a ensinaria a nunca mais pensar. A garota levantou-se da cadeira e subiu a camisa de algodão. A cicatriz quase não era mais uma cicatriz, apenas uma marca, uma lembrança. De um ponto de vista diferente, as cicatrizes tem certa beleza, elas nos mostram o que passamos e o quanto fomos fortes por termos superado.

Ana superou, mas ainda queria dar o troco. Sua cicatriz era um corte horrível que sempre a lembraria de matar Jack Hyde na primeira oportunidade. Ele acabou com a sua vida da pior maneira possível. Não só com a sua, mas com a de sua mãe e... Ela ao menos conseguia pensar no Teddy. Era estranho. Ela sentia a falta deles, sentia muito mesmo. Mas depois de um ano, ela não conseguia mais chorar, ou se lembrar deles de forma ruim, como uma lembrança de morte. Tudo bem que ela ainda tinha pesadelos - os piores, terrores noturnos que a faziam se afogar em suor e não conseguir dormir por alguns dias até. Mas em tudo, era apenas saudade. Como quando você sente nostalgia por algo que sabe que não vai mais voltar, e você não sente desespero para que volte, mas apenas aceita.

Baixou a blusa e se sentou na cama.

Nos últimos meses, Jack tentou lhe "agradar". Ele lhe trouxe livros e cadernos - sem capa dura - com folhas em branco. Mas sem lápis ou caneta, apenas giz de cera. No começo, ela achou que ele estava a tratando como criança, mas depois ela percebeu que ele estava na verdade lhe tratando como uma psicopata. Ele não a deixava chegar perto de nada afiado que pudesse ser usado como arma contra ele - ou contra si mesma.

Estranhamente, mesmo sequestrada, Ana nunca pensou em suicídio. Nem mesmo depois de ter feito a pior escolha de sua vida... Ou talvez a melhor.

Ela não acha que algum dia irá saber

Na maioria dos dias ela não fazia ideia da hora, ou do dia da semana. Só sabia que fazia um ano por que Sarah, a "amiga" de Jack, sempre a dizia o número de meses que haviam se passado. Sarah não era a melhor pessoa do mundo, mas do jeito torto e estranho dela, ela cuidava para que Ana ficasse.

No fundo, Ana entendia um pouco o que Sarah passava. Ela lhe contou que tinha família, filhos e uma mãe doente. Jack a ajudava, e em troca ela precisava ajudá-lo.

Era uma troca de favores. Ela não ousaria colocar tudo em risco, por uma garota que mal conhecia. Às vezes você faz loucuras para salvar quem ama. Em alguns momentos, Ana se pegava pensando se ajudaria ou não, se aceitaria os "favores" de Jack em troca de fazer coisas erradas, de aceitar manter alguém em cativeiro, apenas para o prazer dele.

Sequestrada - Número 1970Leia esta história GRATUITAMENTE!