¤ Capítulo 7 ¤

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¤ Capítulo 7 ¤  

Você amaria meus soluços tristes e a minha lágrima na garganta?

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18 de outubro de 2017 - Nova Iorque

New York, Federal Bureau of Investigation, 12:31

Christian estava cheio de trabalho aquele dia. Eram casos e mais casos para revisar porque o chefe chegaria no outro dia, e tudo precisava estar mais do que perfeito. Pessoas desaparecidas, mortes inexplicáveis, ameaças. A cabeça dele parecia querer explodir.

Ele abriu a gaveta da mesa e pegou o papel. A folha já estava quase rasgando de tanto que ele dobrava e desdobrava. Mas aquilo o acalmava. Era apenas um desenho, mas um desenho incomum. Ele nunca havia visto ninguém desenhando daquele jeito, com tanta suavidade nos detalhes, sem rigidez ou preocupação. Era estranho o fato de que as imperfeições era exatamente o que fazia o desenho ser perfeito.

— Senhor? - alguém chamou, abrindo uma fresta da porta.

Christian levantou a cabeça, com um olhar mortal para quem quer que o estivesse atrapalhando.

— O que é? - ele perguntou, de mal-humor.

Terence, o novo estagiário, tremeu e sua mão suou na maçaneta de porta.

— Tem uma pessoa querendo vê-lo - ele disse, sem muita segurança na voz.

— Quem?

— É uma mulher. Não quis se identificar, disse que é urgente. É uma queixa.

Christian revirou os olhos.

— Mande-a para outro. Eu estou ocupado.

— Mas ela disse que não vai sair daqui enquanto não falar com o senhor.

Christian bufou, com raiva. Todos falavam isso. Às vezes ter tanto sucesso nos casos era uma tremenda falta de sorte, só atraía mais casos, mais trabalhos.

Terence ainda o encarava, as pernas balançando. Christian odiava esses estagiários medrosos. Como podiam entrar para o FBI com toda essa covardia?

— Mande-a entrar - ele disse, colocando a folha na mesa.

Terence balançou a cabeça e saiu.

Em segundos, uma mulher loira, simples e com um coque na cabeça entrou na sala. Ele estava prestes a enviá-la para outro detetive quando realmente olhou para ela. A mulher parecia nervosa, suas mãos tremiam, seus olhos denotavam um certo desespero. Christian se levantou e indicou a cadeira para a moça. Ela se sentou, completamente atrapalhada.

— A senhora está bem? - ele perguntou.

— Sim, eu só... Eu preciso ser rápida - ela disse, colocando uma mexa de cabelo que se soltou atrás da orelha.

— Tudo bem - ele disse, voltando a se sentar. - Pode falar.

Ela respirou fundo e abriu a boca, mas algo chamou sua atenção.

— O que é isso? - ela perguntou, apontando para o desenho.

Chistian olhou para baixo e depois para ela.

— Nada - ele respondeu.

— Eu posso? - ela perguntou, estendendo a mão.

Ele ficou confuso, não pela mulher pedir para ver o desenho mas sim pela sensação de invasão de privacidade que sentiu ao imaginar alguém pegando-o.

Sequestrada - Número 1970Leia esta história GRATUITAMENTE!