¤ Capítulo 5 ¤

Começar do início

E ele entrou no quarto, segurando uma bandeja nas mãos e empurrando a porta com a outra. Ana pôde escutar o barulho das correntes sendo puxadas de novo. Obviamente existia outra pessoa do outro lado da porta.

— Olá - o homem quase cantou a palavra.

A morena engoliu em seco.

— Dormiu bem? – ele perguntou, como se ela fosse hóspede querida.

— O que você quer? - questionou ela, não sabendo bem de onde viera a coragem.

— Vamos por partes, querida. Aqui - ele colocou a bandeja em cima da cama e tirou a tampa - você precisa comer.

— Não estou com fome.

— Mas vai comer - ele disse, mais firme. - Agora!

Ele pegou seu braço e a fez sentar na cama. Seu coração batia freneticamente, sua respiração ficou presa enquanto ele a olhava.

— O que você quer de mim? – perguntou ela, a voz falhando com o medo.

— Tudo – ele disse simplesmente.

— Eu não te conheço - sussurrou.

As lágrimas escorriam por seu rosto silenciosamente.

— Não se preocupe, você vai conhecer – ele disse, sorrindo.

Um arrepio subiu por todo o seu corpo.

— Por favor, por favor... É dinheiro? Eu posso te dar dinheiro.

— Shh - ele colocou o indicador em seus lábios e ela se afastou. - Eu só quero você.

— Por favor...

— Vai ficar tudo bem. Não precisa chorar - ele limpou suas lágrimas com o polegar.

Não importava o quanto ela se afastava, ele apenas se inclinava sobre si, deixando-a com mais pavor ainda.

— O que você vai fazer comigo? – sussurrou ela.

— Nós vamos conversar sobre isso depois. Agora você vai comer.

Ela tentou respirar fundo e sua garganta doeu com o nó formado.

Ele olhou para a bandeja e depois para si: um sinal claro.

Ela pegou o garfo de plástico que estava na bandeja e começou a comer. Não se preocupou com o que era, não sentiu o gosto de nada, apenas tentava mastigar logo e engolir, fazendo muitas vezes parar em seu garganta e ela ter que empurrar com com o suco. E ele permaneceu a olhando, sem nunca desviar o olhar, acompanhando cada movimento seu.

Ela suspirou aliviada quando finalmente a comida acabou e ele pegou a bandeja.

— Tem roupas no armário, o banheiro é ali - ele apontou para um vão que ela não havia visto antes. - Tome banho - ordenou, saindo do quarto em seguida.

Ana mordeu o lábio e tentou controlar as emoções. Ela precisava arranjar um jeito de sair dali, de pedir ajuda. 

Mas como!?

— Tudo bem, tudo bem - repetiu para si mesma enquanto andava até o armário.

Pegou qualquer roupa que parecia servir e foi para o banheiro. Era pequeno, apenas o sanitário e o box. Tão pequeno que com certeza só caberia ela ali. Não  havia espelho algum, e a pia era do lado de fora. Pelo menos a água era quente e Ana ficou ali debaixo por longos e longos minutos, chorando em silêncio, tentando manter o choque e não pirar.

Ao sair, com a roupa que estranhamente coube perfeita em si, ela encontrou uma escova na penteadeira e penteou o cabelo, secando-o com a toalha.

As correntes foram puxadas de novo e ela se virou para a porta. Seu coração havia se regularizado, mas ao ouvir as correntes, foi impossível ele não disparar.

Quem conseguiria?

Era ele novamente.

— Está linda – o homem disse. - Eu sabia que serviriam.

Ele se aproximou mais. Ana sentia uma coisa estranha toda vez que ele a olhava, não era medo, ou susto, era pior. Como se ele fosse um tipo de protótipo para testar seu limite. Ela sentia repulsa.

— Meu irmão... - sussurrou ela de repente.

— Ah, eu sinto muito. Bom, na verdade eu não sinto - ele falou naturalmente, se sentando na cadeira da escrivaninha.

— O que fez com ele? – perguntou ela, a raiva tomando o lugar do medo.

— Ele caiu da escada quando estava tentando correr. Bom, quem mandou o moleque acordar?

— Mentira!

Não tinha como aquilo ser verdade. Ninguém podia ser tão frio e cruel assim, um ser humano não podia fazer aquele tipo de coisa.

O homem levantou uma das sobrancelhas.

— Você acredita no que quiser - acusou ele sem importância.

Ela senti o choro voltar, mas não desceu uma única lágrima. Ela estava começando a ficar com ódio.

Isso, ódio! ódio é bom.

Ódio não a faria pirar.

— Você é um monstro. Você matou a minha mãe e o meu irmão!Ele era só uma criança!

Mas então ela percebeu que o pânico estava chegando sim.

— Eles estavam atrapalhando. E atrapalhariam ainda mais. Sua mãe não desistiria de tentar te encontrar – ele disse, como se aquilo fosse uma boa justificativa e o escândalo dela fosse um exagero.

Deus!

— E acha que ninguém vai tentar me encontrar? Com certeza já deram a minha falta.

— Não, não deram. Você está viajando, amor. Depois que sua mãe bateu com o carro e ele capotou, caindo da ponte Wilker, na mesma hora você foi levada para a Austrália, para morar com sua tia Soraia.

— Que tia? Eu não tenho tia. - ainda mais chamada Soraia -. Ninguém vai cair nessa...

— Já caíram, querida. A sua tia veio para o aniversário de sua mãe que seria amanhã, e então ela te levou para morar com ela. Todo mundo já acreditou. É demais para você. Seu irmão... Sua mãe. Tadinha da pequena Ana. Mas não importa se as pessoas acreditam ou não, nunca vão te encontrar. Você é minha agora.

— Por que você não me deixa em paz? Eu nunca fiz nada com você!

— Se sinta honrada. Será tratada como uma rainha aqui - ele abriu os braços.

— Trancada aqui dentro?

— Isso mesmo.

— Me deixe ir embora - pediu.

— Não dá, minha querida.

— O que você quer de mim!? - ela gritou e ele não se abalou, pelo contrário, apenas lhe sorriu.

— Apenas olhar para você – ele disse, sinistramente e então se levantou, parando a sua frente totalmente intimidador. – Bom, já que vamos conviver um com o outro por tanto tempo, é melhor que tenhamos um relacionamento saudável. Eu me chamo Jack Hyde, e você só pode me chamar de 'mestre'.


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Maaaaaaano, alguém aí?

Espero que tenham gostado. XOXO

Sequestrada - Número 1970Leia esta história GRATUITAMENTE!