¤ Capítulo 5 ¤

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"O universo era uma novela de quinta categoria em que cada reviravolta da história testava os limites da verossimilhança só mais um pouquinho."

¤ Capítulo 5 ¤  

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¤ Capítulo 5 ¤  

Ana tinha 99,9% de certeza de que a noite passada havia sido um pesadelo, mas foi só ela abrir os olhos para sua certeza desaparecer em 100%.

A primeira coisa que ela reparou foi no cheiro. Um cheiro de ferrugem, como um parque de diversão na chuva. Ou uma máquina no ferro velho. Era um cheiro horrivelmente... Salgado? Ana sentiu sua cabeça protestar. Era como se ela tivesse passado a noite acordada, olhando para tela do computador com a luz do quarto apagada. Sua cabeça latejou, e ela esperou até que fosse apenas um incômodo e se sentou na cama.

Ela claramente não estava em seu quarto. Acho que no fundo, ela já sabia que, o que aconteceu ontem, foi real. Na verdade, ela não sabia se foi ontem, ou ha uma semana, ou hoje. O quarto era fechado, sem nenhuma única janela. E a preciosa porta, estava cheia de correntes e cadeados de portões de escola.

Ana olhou o quarto mais uma vez. Era realmente um quarto de menina, com escrivaninha, penteadeira, cama de solteiro e cobertor cor de rosa. As paredes eram cobertas de papel rosa claro com bolinhas marrons.

Ana respirou fundo.

O cheiro continuava. A ferrugem... Ela não sabia de onde vinha.

Colocou as pernas para fora da cama com cuidado.

Sua roupa estava diferente. Ela vestia uma camisa azul, grande demais para o seu corpo, e um short de moletom, também azul. Não havia tênis, apenas uma pantufa branca no chão. Seu cabelo estava amarrado num rabo de cavalo mal feito, por que os fios grudavam em seu rosto.

O quarto estava quente.

Muito quente.

Ela saiu da cama e andou pelo quarto, bateu na porta - não respondeu nenhuma resposta; abri o armário - com roupas apenas de menina dentro; gritou por alguém. Mas nada. Não havia som, não havia barulho, não havia passos. Absolutamente nada.

Suspirou e voltou a sentar na cama novamente.

_ Isso não pode está acontecendo - sussurrou para si mesma.

Alguém logo viria procurar por ela, claro. Sua mãe com certeza já deveria estar...

_ Minha mãe! 

A imagem dela no sofá, coberta de sangue, com os olhos sem vida, lhe veio à memória. O choro parou em sua garganta, machucando-a.

Ela sabia que só não estava tendo um ataque de pânico porque ainda estava choque, como se a realidade ao seu redor não fosse uma realidade.

A porta tremeu com alguém mexendo nas correntes do lado de fora.

Ana se levantou e limpou o rosto com as costas da mão.

Sequestrada - Número 1970Leia esta história GRATUITAMENTE!