Na verdade, ele me encaminhou uma coleção de fotos. Do bolo, dele comendo o bolo, dos priminhos dele comendo e se lambuzando com o bolo, da vela do bolo sendo jogada pela janela e caindo em cima de um carro qualquer que passava pela rua... A alegria dele fez meu humor automaticamente melhorar, mesmo eu tendo ficado em casa por conta de limpar a piscina e cortar a grama, como sempre.

Sander também me enviou uma mensagem instantânea, dizendo que ligaria para o aniversariante mais tarde, ou pelo menos gravaria um vídeo, algo assim. E na mensagem ele me perguntava o que eu havia dado de presente pro Renan, ao que eu respondi com um "nada", sem muitos detalhes.

Sander Wolliner: como assim nada??

(sexta-feira, 15:58)

Daniel Henrique: combinamos outra coisa.

(sexta-feira, 15:59)

Sander Wolliner: AH É? HMMM e eu nem sabia hein

Sander Wolliner: mas tudo bem, não ligo que aproveitem sem mim

(sexta-feira, 16:00)

Daniel Henrique: Sander

Daniel Henrique: ...

Daniel Henrique: eu acho que ñ vou nem responder isso

(sexta-feira, 16:01)

Sander Wolliner: ai Daniel vc às vezes é sério demais hahah

Sander Wolliner: eu sei que o combinado foi ajudar nos estudos, ele me disse, seu idiota

(sexta-feira, 16:02)

Sander Wolliner: mas ainda não ligo que aproveitem sem mim

(sexta-feira, 16:03)

Daniel Henrique: aproveitar pra estudar? Ah, pode deixar. Vc ñ precisa disso mais mesmo.

(sexta-feira, 16:03)

Sander Wolliner: e vcs podem aproveitar pra fazer outras coisas tb

(sexta-feira, 16:04)

Daniel Henrique: tipo fazer inscrição pros vestibulares

(sexta-feira, 16:05)

Sander Wolliner: vc é realmente um estraga prazeres, mas eu sei que ñ é bobo, então vou só deixar essa passar

Sander Wolliner: e sim, agora eu sei bem o que essa expressão significa

(sexta-feira, 16:06)

***

Não fui na "balada de aniversário", nem dei explicações pro Rogério. Acordei no sábado com uma mensagem do Renan. Na verdade, havia outras mensagens dele, mas todas eram muito desconexas pra eu conseguir tirar alguma coisa de útil. Ele tinha bebido na balada, com toda certeza, e me mandara um monte de foto aleatória. Mas a última das mensagens fazia sentido, então prestei atenção à ela.

Renan Souza: vou viajar pra sp com meu irmão e minha mãe hj

(sábado, 11:26 am)

Em seguida, ele explicou que a família ia passar uns dias em São Paulo, como sempre foi de costume deles, para aproveitar a semana de folga que o Rogério conseguiu e para ver os parentes também. Ele disse que o pai havia lhe mandado dinheiro de aniversário e dissera que a avó paterna, quem ele mais visitava em São Paulo, pedira que fosse pessoalmente buscar seu presente de dezoito anos.

Renan Souza: mas não acho que seja um carro hahaha pode ficar tranquilo

(sábado, 12:07)

Daniel Henrique: e seus trabalhos de recuperação?!

(sábado, 12:08)

Renan Souza: estou enviando agora

Renan Souza: ficou faltando terminar o de física, mas não vou conseguir fazer isso hj. Vamos sair agora depois do almoço

(sábado, 12:08)

Renan Souza: vou mandar um email pro professor pedindo pra adiar, acho q dá nada não, né??

Renan Souza: tipo eu entregar na semana que vem? As aulas ainda não vão ter voltado

(sábado, 12:08)

Daniel Henrique: acho que não custa perguntar.

(sábado, 12:08)

Meia hora depois, Renan responde dizendo que o professor abriu a exceção pra ele, prorrogando o prazo de entrega para a segunda-feira da volta às aulas.

Renan Souza: ele ainda disse que só deixou pq me viu indo na escola todo dia estudar com vc hehe

Renan Souza: viu só q diferença vc faz?

(sábado, 12:42)

Combinamos de nos encontrarmos assim que ele voltasse para terminar aquele trabalho. Afinal, por causa do meu mau humor não havíamos conseguido finalizar tudo, então eu tinha uma parcela de culpa na situação.

Fiquei sinceramente contente, porém, de saber que ele ia aproveitar as férias longe do ambiente escolar, longe da cidade, de tudo o que prendia ele ali. Mesmo eu não viajando, sentia que era comigo também, sei lá. Não sabíamos como seria o ano seguinte, mas eu tinha a impressão de que férias em família, como as que o Renan estava tendo a oportunidade, tendiam a ficar cada vez mais escassas. Já que ele estava se dando bem com a dele, nada mais justo e certo que aproveitá-la. Se eu gostasse da minha família, provavelmente faria essa questão também.

O problema era que as únicas pessoas por quem eu realmente tinha um apreço não saíam de casa tanto assim. Minha mãe ficava presa por causa do meu pai, e minha avó por causa dos anos que carregava nas costas.

E eu ficava preso à essa realidade monótona e fatigante, torcendo pra que o tempo voasse naquela última semana de férias e eu voltasse logo para a rotina. Ou que o Renan voltasse logo junto dela.

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gente, julho aqui é eterno mesmo.

aguenta aí que ainda tem mais sim.

Aprendendo a Gostar de Você {Aprendendo III}Onde as histórias ganham vida. Descobre agora