A luz da escuridão [2/3]

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- Por quanto tempo estive desmaiado? - Seu coração batia mais forte e ele suava, o que apenas fazia com que o frio lhe parecesse pior, embora estivesse habituado ao frio. Por duas semanas. Ronn ofegou novamente. O mantive vivo, pois seu corpo é Midgard.

Acima da cidade, centenas ou talvez até milhares de fios se erguiam sobre a floresta, como os cipós de uma imensa árvore invisível. Conseguia claramente distinguir cada fio colorido em meio a paisagem cheia de tonalidades cinza, com seu olho esquerdo. Cada um daqueles fios era uma pessoa morta. Ordenou a si mesmo que se acalmasse e foi inundado com uma tranquilidade não natural.

Aqueles fios poderiam ser de pessoas que morreram há meses ou anos. Mas sua mente gritou para que fosse verificar se Elsea estava bem.

- Por que a cidade está cinza?

Há um mestiço humano com um deus menor da desordem na cidade, ele é o responsável por isso, há alguns anos seu poder despertou, até então não passava de um humano, como não foi criado entre os deuses, não aprendeu a controlar seus poderes e sua fome de desordem, venho-o seguindo há meses, recolhendo as almas injustiçadas, cujas vidas foram tiradas antes do tempo pelo caos que ele provoca em seu frenesi de tornar-se mais poderoso. Entretanto, não sou capaz de enfrenta-lo, se ninguém para-lo, ele destruirá completamente todas as vidas dessa cidade, em seguida partirá para a próxima.

De repente, a imagem de um homem de cabelos e pestanas pretas passou por sua mente.

- Qual o nome do semideus?

Rurik. Ronn fechou os olhos com os punhos apertados.

- Ninguém se dá conta do que está acontecendo?

Não. A desordem é semeada na mente dos homens, corrompendo a alma aos poucos, um homem honrado poderia ser capaz de matar toda a sua família apenas guiado por um único impulso de raiva, qualquer sentimento de afeto se transforma em obsessão e quando o caos alcança a maioria da almas, até mesmo a terra se torna infértil, destruindo a vida que ela foi criada para fornecer, mas as pessoas se tornam tão extremamente embebidas em conflitos que não percebem ou não se importam que o seu redor esteja em ruína.

Então foi ele quem causou a destruição das aldeias e cidades que ouvi os viajantes sussurrarem temerosos. Pensou Ronn.

- Por que os deuses já não o destruíram?

Os deuses não interferem no livre arbítrio humano, a menos que seja para interferir na consequência direta da ação de outro deus. Por ter dormido e engravidado uma humana, o deus menor da desordem, pai de Rurik, foi sentenciado a destruição, Rurik por sua vez, é parte humano, possuindo seu próprio livre arbítrio, de forma que os deuses não podem interferir em seus atos.

Entretanto, quando Forseti se viu obrigado a toca-lo com o machado, mesmo em vida, ele de certa forma interferiu em seu destino, a morte, mas nenhum deus pode-lhe tirar a vida para desfazer a ação de Forseti...

- Porque eu sou humano ou em parte humano e isso seria interferir novamente em meu livre arbítrio.

Exatamente.

- Forseti será punido?

Dependerá das consequências.

Ronn refletiu a informação por um momento e sua respiração congelou em seus pulmões.

- Se os deuses não podem derrota-lo e os humanos são contagiados pelo seu poder, apenas outra criatura não completamente humana poderia fazê-lo. Isso quer dizer...

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