Capítulo Dois

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No mesmo instante em que Marco saiu do prédio e sentiu o ar da rua, seus pensamentos se acalmaram.

Sabia que tudo andava uma bagunça na sua vida, mas as coisas sempre se ajeitavam, não era verdade? Além disso, elas pareceriam menos ruins depois de um momento de contemplação.

E assim que entrou na cafeteria, ele percebeu que esse seria o tal momento.

Marco se aproximou do balcão de salgados, decidido a pedir o de costume: um café com leite desnatado e um sanduíche natural com pão multigrãos.

Porém, para coroar o começo do seu dia de cão, viu pelo canto do olho o balcão dos doces e sua boca salivou.

Maldição!

Ele não queria recomeçar o ciclo vicioso do açúcar, ainda mais agora que tinha trocado o seu treino com o personal.

Mas, por outro lado, se ele pedisse uma fatia daquelas tortas de maçã com canela e mel, que levavam aveia, ameixas e zero açúcar refinado, não haveria muito problema, haveria?

Não, claro que não.

Ou sim?

Enquanto ele continuava naquele debate interno e crucial a respeito dos prós e contras em ser um pouquinho flexível consigo mesmo pelo menos daquela vez, a atendente se virou para ele, lançou-lhe um sorriso por cima do balcão e perguntou:

– Bom dia. O que você gostaria hoje?

– Bem, um café, meio a meio, desnatado e...

Ele parou de falar, até que a atendente, com paciência, tentou ajudá-lo:

– E...?

Marco pareceu sem graça.

– Estou em dúvida. Sempre pego o sanduíche natural com pão multigrãos, mas hoje queria algo diferente. Talvez um doce.

– Dieta restritiva? Pouco açúcar? Sem restrições?

– Me diz o que vocês vendem mais, com pouco açúcar, por favor.

A atendente mostrou duas tortas de massa escura, provavelmente de farinha integral, e mais três tipos de muffins, também da mesma cor.

– Temos torta de morango e tâmaras, e uma torta de compota de figo. Ambas não levam açúcar nos recheios e na massa. Também temos muffins de mirtilo e de banana, feitos com açúcar mascavo.

Ele olhou para a torta de morango e abriu a boca para fazer o pedido, decidindo optar por algo mais saudável.

Só que aí percebeu que, ao lado da torta, havia uma bandeja repleta de sonhos fofinhos e nada indicados para uma refeição leve e balanceada.

Mas se tratavam de sonhos.

Sonhos lindos. Douradinhos. Cobertos por uma fina camada de açúcar de confeiteiro, o que os faziam parecer bolinhas de natal nevadas.

Deus, ele conseguia até sentir a textura da massa entre seus dentes. E também a consistência suave e cremosa do recheio de doce de leite em sua língua. Sem falar naquela doçura incomparavelmente única de maciez e densidade untuosa...

Oh, sim, era a luxúria em forma de comida!

Marco engoliu a seco.

Comer ou não comer, eis a questão.

Foi quando ele ouviu a voz de Sandro em sua consciência: "Deixa de ser maricas e come a porcaria do sonho de uma vez, cara."

Ele ainda tentou relutar mais um pouco, pensando sobre todos os abdominais que teria de fazer. Sandro nunca lhe dava bons conselhos, afinal.

Meu Adorável AdvogadoWhere stories live. Discover now