Capítulo Um

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Assim que saiu daquela desastrosa negociação, Marco precisou lidar com seu péssimo humor.

Isso porque, além de se atrasar muito mais do que pretendia para chegar ao escritório, ainda teve o azar de ser sufocado por um forte cheiro de álcool no elevador do prédio, vindo de um sujeito que, por desgraça, sabia que ele era um dos sócios do "Dotor" Brenner.

O tal sujeito lhe encurralou num canto do cubículo e ficou elogiando o "adevogado" dele, e balbuciando sobre terrenos e estacas. Também lhe contou que iria falar com Brenner e mandar levantar a lebre porque ele não tinha mais idade para aquilo. Dali por diante, Marco já não conseguiu entender mais nada do "causo".

Quando enfim escapou do "cliente" – que continuou dentro do elevador feliz da vida abanando a mão para ele num gesto de adeus –, Marco prometeu a si mesmo que, mais tarde, teria uma conversa séria com Dr. Brenner sobre aquele assunto.

Ao ver Jenifer escondida atrás do balcão da recepção, segurando o riso pela cena que acabara de presenciar, ele ficou ainda mais mal-humorado. Nem sequer a cumprimentou, apenas lhe pediu secamente para que só lhe passasse ligações urgentes.

Ela parou de sorrir no mesmo instante e assentiu com um gesto de cabeça. Aquele sinal de respeito deveria ter acalmado Marco.

Entretanto, não aconteceu.

Toda a questão do Corvette só o deixava mais e mais agitado. Por isso, ele pensou em conversar com Morgana, uma de suas sócias no escritório. Além de ser uma colega, ela também era amiga de Elisa, assim Marco mataria dois coelhos com uma cajadada só: poderia se acalmar e também pedir conselhos sobre como lidar com aquela ruiva doida.

Merda! Entre coelhos e lebres, esta manhã não tinha como ficar mais estranha. Só faltava alguém aparecer com uma chinchila, ele pensou amuado.

E Marco estava justamente passando em frente à sala de Morgana. Depois de uma breve pausa junto a porta, não ouviu som algum, então decidiu bater.

Após um "pode entrar" abafado, ele girou a maçaneta e foi logo perguntando:

– Você tem um minuto, Morgana?

– Claro, Marco – respondeu ela enquanto abria uma gaveta da mesa e enfiava lá dentro o seu tablet.

Preferindo manter aquele assunto só entre os dois, Marco fechou a porta atrás de si e se acomodou numa das cadeiras em frente à mesa dela.

– Eu tive uma reunião hoje de manhã...

Ele foi interrompido sem nenhum pudor.

– Sim, eu soube. Você e a Elisa espantaram o vendedor do Corvette, não foi?

Marco não podia acreditar.

– Como você soube? Foi você quem contou para aquela malu... – Percebendo como quase acabou chamando a amiga de sua sócia, ele se corrigiu: – Para ela que eu tinha uma reunião hoje?

Morgana ergueu as sobrancelhas ante a acusação.

– O quê? Não! Eu acabei de receber um Whats da Elisa dizendo que você foi na reunião dela. Ela não para de falar nesse Corvette há meses.

Ele se conteve de mexer no nó da sua gravata, totalmente frustrado.

– A reunião era comigo, Morgana. A Elisa foi quem deu um jeito de descobrir e aparecer lá sem ser convidada.

Marco percebeu que sua colega estava fazendo um belo esforço para não rir da má sorte dele. Um belo esforço que não deu certo. Em poucos segundos, ela se debulhou em gargalhadas.

Meu Adorável AdvogadoWhere stories live. Discover now