Parte IV: Valéria.

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Acordou lentamente. Sentiu a agulha enfiada em seu braço esquerdo e viu a lâmpada amarela no teto. Ouviu o bip do monitor de sinais vitais e virou de lado, surpreendendo-se ao ver Carmem, sua mãe, sentada ao lado da cama

- Val ! - Carmem gritou, surpresa e feliz.

As lembranças vieram como um furacão: o vaporcello, Tempesta, a batalha no castelo, o terrível bruxo, tia Lúcia e o menino com asas de anjo. Ainda podia ouvir os tiros da batalha e a voz assustadora de Kaladan. Então lembrou-se do toque, o toque místico do menino-anjo, que em um segundo envolveu o corpo mecânico de Ariadne e a mandou de volta para casa, deixando Amisthea e Tempesta para trás, em Ellora. Mas as palavras da Paladina Prateada ficaram marcadas em sua mente, e em um impulso voltaram à tona:

Obrigada, querida sobrinha. Ellora tem uma dívida com você. E jamais se esqueça: Os Sete Deuses sempre vão estar ao seu lado.

Uma lágrima escorreu no rosto de Valéria, e ela rapidamente a enxugou. Nunca mais iria chorar na vida, prometeu a si mesma. Finalmente olhou para Carmem:

- Mãe? O que aconteceu? Por que estou aqui?

- Querida, você não se lembra? Parecia que seu apartamento estava pegando fogo. O porteiro chamou os bombeiros e eles te encontraram no meio de uma nuvem de fumaça. Você estava em desacordada a três dias, três dias! Os médicos já não sabiam mais o que fazer. Mas graças a Deus você acordou!

- Três dias? - ela sentou-se na cama, incomodada com a agulha.

- Minha filha!

Paulo, o pai, entrou na sala com um sorriso radiante, seguido por Jorge, que trazia um buquê de flores já meio murchas.

Ao ver o namorado, o sangue de Valéria ferveu. Ela se colocou de pé e ele abriu os braços, caminhando para abraçá-la.

- Valéria, querida! Fiquei muito preocupado com você, ainda bem que nada grave aconteceu!

- Seu cínico miserável!

Valéria fechou o punho e flexionou o braço para trás, então desferiu o soco certeiro contra o rosto de Jorge, que caiu desnorteado. O suporte do soro por pouco não atingiu Carmen, que juntamente com Paulo não entendeu nada. Assustadas com o barulho, enfermeiras entraram na sala, e elas ficaram perplexas ao ver, no rosto de Valéria, um sorriso de satisfação.

Fim

[387 palavras]

O Vaporcello, a Musicista e a Mecanoide.Leia esta história GRATUITAMENTE!