Parte III: A Fortaleza dos Espinhos.

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Ariadne e Tempesta entraram em vastas nuvens escuras. Ela estava maravilhada e um pouco apreensiva, como tudo aquilo era possível? Como tia Lúcia guardara tão bem tamanho segredo durante tanto tempo? Tinha mil perguntas para fazer, e Tempesta pareceu adivinhar seus pensamentos, ou pelo menos parte deles:

- Paladina, Amisthea deveria ter contado tudo antes de você voltar para Ellora.

- Voltar? Mas eu nunca estive aqui antes!

- É claro que esteve, só não se lembra! - Tempesta crocitou, divertido. - Bem, resumindo: estamos em guerra com o Protetorado de Uz há dez anos. Eles tomaram o poder em Ellora com a ajuda dos Filhos de Azure, um bando de bruxos sem escrúpulos - ele crocitou novamente, mas dessa vez com escárnio. - E não está bonito para o nosso lado; mas algo incrível aconteceu: um Ascendente despertou em Ellora, e com ele a esperança da vitória Infelizmente o menino foi aprisionado pelo Protetorado, e quando Amisthea tentou resgatá-lo também foi capturada. Ambos estão na Fortaleza dos Espinhos, e é pra lá que estamos indo.

- E por que vocês acham que eu terei sucesso onde Amisthea falhou?

- Porque você foi a única mecanoide que atendeu nossas preces!

- Isso é um absurdo...

Subitamente, um grande estrondo ecoou pelo ar, atraindo a atenção dos dois.

- Estamos chegando! Veja, a Fortaleza dos Espinhos!

Ariadne pode ver os mesmos dirigíveis de antes rodeando um castelo em cima de uma montanha. Gigantescos espinhos de ferro brotavam das torres do castelo. E canhões nos dirigíveis disparavam incessantes contra as muralhas, porém causando pouco dano. Canhões nas torres do castelo respondiam ao fogo destruindo vários dirigíveis. Era brutal.

Algumas aeronaves conseguiam se aproximar e lançavam tropas em balões que aterrissavam no castelo, onde eram recebidas ferozmente por soldados em trajes cor de vinho .

- O Exército Verde está criando uma distração para sua entrada, prepare-se, Paladina.

Valéria desesperou-se.

- Deuses! Mas o que farei? Você vai simplesmente me jogar no meio daquela batalha?

- Acredite em você, Ariadne! Escute: ao entrar no castelo você deve buscar a luz. Siga a luz para chegar ao Ascendente. Use seu sabre, usa sua força! Enquanto isso, as tropas do Exército Verde vão libertar Amisthea e ela vai ajudá-la. Provavelmente tem um bruxo de Azure lá dentro, mas ele não será páreo para vocês duas.

Tempesta mergulhou em direção ao pátio do castelo, enquanto Valéria gritava. Explosões fosforescentes por todos os lados iluminavam o breu, o som incessante dos disparos reverberam nas pedras e se misturavam aos gritos dos homens. Balões em chamas caíam do céu, e as máquinas de guerra do Exército Verde que conseguiam chegar ao pátio do castelo provocavam grandes baixas nas tropas do Protetorado, equilibrando a luta.

- Vá, Paladina, que os Sete Deuses a protejam!

Tempesta largou Valéria em meio ao combate. Inicialmente ela ficou desesperada, porém, em questão de segundos, instintivamente flexionou o tronco e juntou as pernas sobre o peito, rodopiando no ar e aterrisando perfeitamente. Ficou surpresa com a manobra, seu medo havia desaparecido por completo. Então, quando se viu no meio da batalha, soube exatamente o que deveria fazer.

Com o sabre em riste correu na direção das tropas do Protetorado. A maioria dos soldados inimigos defendia o grande portão que dava acesso ao interior do castelo. Quando viram Ariadne, apontaram suas armas para ela e disparam sem trégua. Incrivelmente ágil, ela desviou da enxurrada de balas e com uma velocidade incrível atingiu a linha defensiva. Golpeou habilmente com o sabre derrubando vários inimigos, saltou como um acrobata sobre os outros e disparou sua arma contra os que conseguiram chegar perto. As engrenagens a todo vapor, Valéria nunca havia experimentado tamanha emoção, sentia-se viva, sentia-se letal, sentia-se a Paladina Dourada. Logo havia uma brecha nas defesas do Protetorado e, vendo a poderosa mecanoide em ação, os soldados do Exército Verde empolgaram-se e saíram de suas posições entoando gritos de guerra. Dividiram-se em dois grupos: enquanto um atacava a brecha na linha defensiva, o outro flanqueava os inimigos pela direita.

O Vaporcello, a Musicista e a Mecanoide.Leia esta história GRATUITAMENTE!