CAPÍTULO 17

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De Acordo com o Destino

          Com o chamado de Yby para Marte, a Casa de Kûara transferiu a missão da base de água, de Europa, para uma das Casas aliadas na região. Mas, com as melhores Casas envolvidas na guerra criada por Heitor, o Governo se viu em uma situação complicada, pois os ataques piratas aumentaram e o caos começou a tomar forma em Apolo.

          Como forma de pressionar um desfecho rápido para a crise entre as Casas, o Governo enviou um alerta aos mercenários emancipados para que não se envolvessem na guerra, pois eles se tornaram extremamente importantes no papel de garantir a ordem em Apolo, já que são os guerreiros mais fortes e habilidosos entre os mercenários. Claro que o Governo também insinuou que em caso de discordarem da sugestão, os emancipados não teriam mais prioridade em receber missões, podendo mesmo perder o direito de representar o Governo em batalhas, o que os tornariam párias na sociedade.

          Alguns mercenários, irritados com a arrogância do Governo, decidiram inutilizar o chip de identificação implantado pelo Governo em seus corpos, desfazendo, assim, a aliança. Muitos deles se juntaram à Casa de Yby e outros se tornaram meros caçadores de recompensa, mas a maioria acatou a imposição do Governo.

          O Governo também enviou mensagens aos líderes das Casas. Fez um alerta aos que ainda não haviam entrado na guerra e ameaçou os líderes que lutavam entre si.

          A terceira Casa aliada de Heitor, em Marte, já havia caído.

          — Medidas extremas devem ser tomadas em situações extremas... Já os alertamos duas vezes sobre as consequências negativas, para a ordem no Sistema, que essa guerra insana de vocês trará. Não podemos permitir isso. Assim, vocês têm vinte e quatro horas terrestres para resolver essa situação ou então enviaremos nossas tropas para pôr fim a essa insanidade. — A imagem de uma mulher, que fazia parte do grupo dos treze governadores, desaparece com a grande tela holográfica que se desfaz à frente de Heitor. Ele ri.

          — Hum... como se fossem fortes o suficiente para nos enfrentar... Esse Governo só assusta os fracos! — Heitor diz, enquanto se vira para Issa, que está lendo informações na pequena tela holográfica produzida por seu bracelete.

          — A situação não está a seu favor, caro Heitor... — Issa diz, com um sorriso sarcástico. Heitor vem se aproximando dela, com seu andar imponente e sua expressão arrogante.

          — Do que está falando? — Heitor pergunta, preocupado.

          — Você está perdendo aliados, veja! — Issa faz a tela se tornar maior com um movimento com os dedos, abrindo-a. Heitor lê as informações e fica irritado. — Muitos desconfiam da sua lealdade e a situação em Marte está fora de controle. As Casas temem enfrentar Yby.

          — Malditos! E agora com essa interferência do Governo ficará mais difícil encontrar aliados...

          — O que pretende fazer? — Issa pergunta. Heitor anda de um lado para o outro, com as mãos para trás, depois para e coloca a mão direita sobre a testa, como se estivesse pensando em algo. Heitor se vira para Issa.

          — Precisamos deixar Vênus... Quando Yby descobrir que as Casas me abandonaram, virá direto pra cá. O exército dela está muito forte e ela ainda poderá contar com a ajuda do Go... — Heitor para de repente, depois segura os braços de Issa, com força, sorrindo. — É isso! — Heitor solta os braços de Issa, que tem uma expressão séria, e segue em direção à sua mesa. — Governo Central! — Heitor diz, a tela holográfica se forma à sua frente. Um dos treze governadores o atende.

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