O prelúdio da penumbra [3/3]

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Ronn estava abaixado na torre, havia sido mais difícil do que esperava subir ali sem que ninguém o visse, ao meio da tarde todo o local estava abarrotado de pessoas com as mais variadas roupas e aparências, o sol estava diante ele, de modo que todo o seu corpo estava escondido sob a sombra do telhado inclinado.

Seus braços estavam doloridos pelo esforço, cogitou se deitar para descansar, quando as pessoas começaram a gritar eufóricas, Sêlkior Rurik passava pela multidão que dava espaço, era quase uma cabeça mais alto que a maioria das pessoas em volta, tinha o cabelo preto azeviche e pestanas cheias, uma barba curta escurecia seu rosto e seus olhos eram de um azul elétrico.

Não era musculoso e suas costas se inclinavam um pouco para frente, como um velho faria, além disso, mancava levemente de uma das pernas, estava vestido com formalidade e um caro casaco de pele vermelha por cima dos ombros, o homem não parecia empolgado com a cerimônia, em vez disso, olhava ansiosamente a multidão, um arrepio correu pela sua coluna.

Katarine entrou em seguida, com seu pai e sua mãe ao seu lado, a mãe levando a tocha e o pai, a espada, ela estava belíssima no vestido, uma coroa de flores coloridas decorava seus cabelos pálidos, Ronn suspirou com pesar, faltava pouco agora.

O sacerdote começou a cerimônia, o céu estava em um belo degradê, o noivo retirou a espada e a tocha foi acesa, Ronn não conseguia escutar bem de onde estava, mas ouviu o furor e viu as expressões da multidão quando o fogo começou a queimar negro e a espada envelhecia diante dos olhos de todos.

Katarine gritou primeiro, logo, outras mulheres também estavam gritando, os homens se afastavam em horror, o próprio sacerdote ficara mais pálido que todos, então o vestido de Katarine começou a manchar vermelho nos ombros e torso ela gritou mais e mais, seus pais correram para ela enquanto todos os outros se afastavam, alguém gritou que o casamento estava maldito, várias pessoas fugiram do local, crendo ser algum castigo dos deuses.

Ronn observava a tudo, tentando manter-se indiferente, seu plano havia dado certo, então por que não estava feliz? Culpa remoía em seu ser, o ódio se fora, havia se vingado, mas não estava satisfeito, não sentira aquele alívio de ter se livrado de algo incômodo, mas apesar de tudo, manteve-se atento.

Os espadachins correram em socorro à noiva, que havia desmaiado, sabia que com o tempo, talvez alguém se daria conta de que fora sabotagem e não castigo divino, mas duvidava que isso ocorreria naquele dia. Franziu o cenho, todos estavam exasperados, temerosos, em pânico, todos exceto uma única pessoa, que permanecia impassível diante do caos desatado naquele lugar. Sêlkior Rurik.

Invés disso ele parecia quase satisfeito, não havia sequer um franzir de cenho em seu rosto, de fato, parecia conter-se para não rir. Ronn já vira pessoas rirem de desespero e pânico ou constrangimento, aquele definitivamente não era o caso.

Havia algo de muito errado com aquele homem. Ronn preparava-se para descer da torre, jogou uma última espiada ao que havia feito e congelou instantaneamente no lugar, Sêlkior Rurik estava olhando diretamente para ele com um sorriso nos lábios. Ronn escorregou na neve do telhado e foi lançado para a parede, antes de cair com um baque surdo no chão, arrancando o ar de seus pulmões ao mesmo tempo em que corpo parecia ser atravessado por mil agulhas e sua vista escurecia.

...

Sua cabeça estava pesada e os sons pareciam distantes quando deu-se conta, que de alguma forma, havia desmaiado, abriu lentamente os olhos, sua vista embaçada custou a clarear, mas quando o fez, quando entendeu a situação a sua volta, ofegou em pânico.

Estava com os braços amarrados para trás em um pequeno poste, de joelhos na lama, no que parecia ser o centro da praça, as pessoas a sua volta rugiam em fúria, sendo detidas pelos espadachins negros, detidas de o matarem.

O Despertar da SombraRead this story for FREE!