CAPÍTULO XVII

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No finalzinho de tarde daquela sexta-feira, Ruan Dias estava sentado no sofá de sua sala, assistindo a uma série de televisão. Como havia acordado cedo para ir à escola naquele dia, o garoto não conseguiu resistir ao sono e acabou dormindo por alguns minutos ali mesmo no sofá, enquanto esperava...

O toque do interfone o despertou. Ele rapidamente pulou para fora do sofá e correu para atender. Depois de liberar o portão para quem havia chegado, Ruan coçou os olhos e bocejou, ainda sentindo bastante sono. Ele adoraria tirar um cochilo até a hora do jantar, mas havia feito um decisão: Ele iria aproveitar cada segundo que tinha com Felipe naquele fim de semana.

Essa era a primeira vez em meses que Felipe Barbosa iria passar o fim de semana na casa de Ruan. A última vez que isso aconteceu, tudo era diferente. Agora os dois já não eram apenas melhores amigos. Sua relação tinha dado um passo adiante, um passo inesperado e que estava trazendo muita felicidade para ambos. O maior desejo de Ruan havia se realizado e agora ele só queria aproveitar...

Ao abrir a porta, Ruan se deparou com um Felipe de boné para trás, camisa larga, bermuda jeans e uma mochila cheia em um dos ombros. Nos pés usava um chinelo preto e no roto, seus óculos de sempre.

-Eai – Disse Felipe sorrindo – Desculpa a demora, tive que ajudar minha mãe com um negócio.

-Não tem problema. Ainda está bem cedo.

Felipe atravessou a porta e seguiu na frente.

-Na escola eu tinha dito que iria almoçar e vir pra cá direto né? Mas aí minha mãe começou a reclamar que precisava de algumas coisas e no fim só deu pra vir agora.

-Entendo.

-Tava fazendo o quê antes de eu chegar?

-Dormindo no sofá.

-Sério?

-Tava com muito sono. Acordar cedo a semana inteira é foda.

-E cadê os seus pais?

-Daqui a pouco eles estão aí.

Eles entraram no quarto de Ruan e Felipe largou a mochila na cama do amigo. Ela estava bastante volumosa e parecia pesada.

-O que você trouxe? – Ruan perguntou.

-O de sempre. Roupas pra ficar até domingo, toalha, escova de dente, desodorante e alguns jogos.

-Não precisava trazer tanta coisa, eu te emprestava.

-Não, tudo bem. Parece bastante coisa mas não é.

Felipe sentou-se na cama de Ruan e puxou o celular do bolso.

-Tu soube que o Fernando quebrou o braço?

-Sim, ele me disse. Que chato. Eu quebrei o braço uma vez quando eu era pequeno.

-Eu nunca quebrei nada, mas deve ser horrível.

-É sim.

Ruan se sentou bem do lado de Felipe na cama e perguntou:

-Você não vai me dar um beijo?

-Aé, desculpe – Felipe olhou para o amigo e beijou seus lábios – A gente quase não tem chance de se beijar e quando tem eu esqueço. É complicado manter o nosso namoro em segredo.

-Sim, é verdade. E nos últimos dias tá difícil arranjar privacidade né... Mas tudo bem. Esse final de semana vai ser muito foda, eu tava louco pra você dormir aqui de novo.

-Eu também. A semana demorou pra passar não é?

-Sim! Caralho, não aguentava mais. Só queria que a sexta chegasse logo...

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