Prólogo

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Elisa não conseguia acreditar que continuavam tendo aquela discussão.

Como diria sua mãe: ela poderia estar matando, ela poderia estar roubando, mas nããão! Estava ali, tentando ser honesta.

E que dia para a honestidade...

Aquele vento frio congelava suas pernas. Uma mecha do seu cabelo já havia se soltado do rabo de cavalo elaborado e ela estava impaciente para tirar aquela roupinha de executiva. Mas não podia. Ela precisava apresentar uma imagem que a ajudasse em sua causa, mesmo que até seu sutiã a incomodasse embaixo da axila e que ela sofresse de uma vontade enorme de ajeitar a calcinha.

Diabos, nada está dando certo hoje.

Seu temperamento era controlado sob rédeas curtas, e ela se continha para não distribuir olhares furiosos.

Sério, Elisa não podia mesmo acreditar que continuavam tendo aquela discussão.

Não era óbvio que ela tinha preferência no negócio? E não era ainda mais óbvio que ela era a única que realmente daria um lar para aquele lindo bebê de quatro rodas?

O Chevrolet Corvette Stingray¹ já era seu. Assim que o viu, ela soube. Além disso, tratava-se de um carro que precisava de alguém com sua experiência.

Elisa lhe daria carinho, rodaria com ele mantendo o pé fundo no acelerador para amaciar seu motor, mimaria-o com os melhores óleos, gasolina aditivada e, por toda a vida, nunca lhe deixaria faltar nada.

Marco Greier poderia dizer o mesmo?

Ela duvidava. Era por isso que não conseguia entender o que aquele engomadinho pensava que fazia ao se intrometer no seu negócio. Pelo amor de Deus, o cara dirigia com o Código de Trânsito Brasileiro colado no peito! Além disso, estava mais preocupado em olhar as placas do que em conferir se havia buracos na estrada.

Que sua amiga Dona Gê a perdoasse, mas Marco Greier dirigia como uma vovozinha meio cega, meio surda e com um pé já na cova.

E aquele bebê ronronante e potente jamais seria feliz com alguém assim. Ele só se realizaria com Elisa Carvalho. Sim, Elisa faria aquela belezinha de quatro rodas feliz.

E eu a farei, pensou ela com determinação. Não importa se toda vez que eu encontro o Marco, fico arquitetado planos de fazer um check-up no homem.

Afinal, quando o assunto era o bem estar de um carro, ainda mais um como aquele, todo o amor e carinho por qualquer boy magia acabava.

Duas e quatro rodas sempre vinham em primeiro lugar. Sempre. Sem exceções.

Ela foi tirada de seus devaneios pela voz pomposa de seu concorrente:

– Creio que cada um de nós já apresentou sua respectiva proposta, Elisa. Cabe ao Sr. Silva decidir qual será a mais apropriada aos interesses dele.

Estou pouco me lixando para os interesses dele, esse Corvette é meu!, quis responder Elisa.

Controlando-se, ela acabou sorrindo para Marco, contrariando seus instintos.

– Só estou dizendo que o Corvette já está na minha oficina. Que o Sr. Silva já confia em mim para cuidar dele. E que desde que nos conhecemos, já estamos negociando a compra.

Marco a encarou como se estivesse tratando de explicar a situação complicada para uma criança.

– Mas a minha proposta é muito mais generosa. Além disso, não estou sequer cogitando retirar o Corvette de suas mãos capazes enquanto ele não estiver completamente restaurado.

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