CAPÍTULO 3

740 68 5

"Passo o dia pensando, almocei por aqui, mas não vi a família real, deve ser algum protocolo louco deles, não sei.

É uma coisa estranha. Um dia atrás estava em casa, tranquila, com minha família e agora estou aqui. Por que?

Em "meu quarto" observo todo o ambiente, imenso. No centro uma cama enorme, com uma colcha rose. A penteadeira é grande, sobre ela estão dispostas várias maquiagens, de todas as cores possíveis, em um compartimento como uma gaveta logo abaixo dela estão vários batons, de todas as cores, vermelhos, rosas, lilaz, salmão, enfim, muitas tonalidades. Sonho de muitas meninas... mas sinto dizer: menos o meu.

Com certeza o ármario é a maior parte, assim que o abro me surpreendo. Vestidos, calças jeans, blusas e até pijamas com robes o completam. E no fundo sapatos, saltos, sapatilhas, pantufas e sandalhas (de salto, como sempre) estão dispostos, bem organizados.

Irei jantar com a família real em poucos minutos e como estou aqui com tudo isso disponível, por que não usar?

Entro no banheiro e tomo um banho, no chuveiro apesar de ter uma enorme banheira, nunca usei uma dessas, não sei nem ao menos onde a liga.

Escolho um dos vestidos, um simples, rosado, bem suave, sem mangas e com rendas pela saia. Gostei dele. Coloco uma das sapatilhas, não vou colocar um salto, nunca entendi a monarquia, por que o salto? Que diferença faz se não irá mostrar pelo comprimento do vestido?

Não passo maquiagem, apenas um batom, nunca fui de usar e ouso dizer que não sei muito bem como fazer também.

Enquanto penteio meus cabelos castanhos me olhando no espelho começo a pensar. O que meus pais disseram ontem a noite me fez refletir um pouco. O que seria esse segredo? E o pior: eles disseram que eu deveria voltar de onde vim. De onde? E isso corrói minha curiosidade mais ainda.

Pensamentos rodeiam minha mente e sou dispersa de todos eles logo depois de ouvir batidas na porta. Assim que atendo o mesmo guarda que me convocou em casa esta lá, e me olhando começa:

- Vamos? A família real a aguarda na sala de jantar, siga-me.

Fecho a porta do quarto e saio atrás dele. Confusão e nervosismo tomam conta de mim. Não sei o que virá, o que acontecerá ou como acontecerá. Mas estou pronta para o que der e vier.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Sigo o guarda até a sala de jantar. A porta é imensa, diria que com o dobro do tamanho da porta do quarto, de madeira e com os mesmos detalhes desenhados na sobre ela, riscos e folhas.

Há outro guarda ao meu lado, esse abre a porta e me supreende com uma leve reverência, de início não entendo muito bem o que está acontecendo. Afinal, reverência são reservadas somente a família real. Desconsidero e entro.

Lá dentro estão sentados o rei e a rainha. Assim que me vê, Madeline, nossa rainha se levanta e vem até mim.

- Querida! Olá, é um prazer conhece-lá.

Ela é linda. Pele clara, cabelos loiros e os olhos azulados. Sorrio, mas não digo nada. Ela me leva até uma cadeira vazia ao seu lado. Nunca fui de adorar a família real, só há um que deve ser adorado e não são eles. Porém, tenho total respeito. Mas... não sei o que falar, o que dizer para os governantes de seu reino quando se está cara a cara com eles? Assim que me aproximo, o rei Ulisses me análisa e diz:

- Seja bem vinda. É um imenso prazer tê-la aqui conosco. - poderia dizer que ele é o oposto da rainha. A voz grossa, uma barba rala e cabelos escuros, tanto por ser homem, claro, e por ser mais culto e exato com o que fala.

- Obrigada - começo - mas, por que...

Antes que eu pudesse terminar de falar a porta se abre novamente e o princípe adentra na sala. Alto, de cabelos claros como os da mãe, os olhos azuis royal, novamente com os traços da rainha.

- Mayson, pedi para que você não se atrasasse.

Ele apenas sorri e que sorriso. E diz:

- Desculpe-me mãe - dá um beijinho na bochecha da mãe e comprimenta o pai.

Assim que percebe que eu estou aqui ele se aproxima. O encaro nos olhos. Ele pega minha mão deposita um beijo bem suave sobre ela.

- É um prazer conhecê-la. Principe Mayson a seu dispor. - ele sorri novamente. Admito que... me admirei com ele. Totalmente diferente do que eu imaginava.

Ele se senta do outro lado da mesa, próximo ao pai que diz:

- Bom, vamos jantar e logo depois conversamos, pode ser Harley? - ele pergunta.

- Claro. - não sei como agir em frente a eles. Nunca nem ao menos estive em frente a eles.

Começamos a comer. A comida está maravilhosa. O prato é um peixe refolgado ao molho roset - um molho tipíco das Ilhas do Sul. Ele é uma leve mistura de outros molhos, ervas e uma pitada de pimenta.

Não comi muito, como disse, estava sem jeito com tudo aquilo que, sinceramente, nunca vi. Comidas exóticas, regalias e jóias são coisas distantes de minha situação financeira. E aquele garoto, ele me encarava a cada dez segundos. Não disse uma palavra o jantar inteiro, apenas o rei que conversa com a esposa sobre política e coisas a serem resolvidas no país.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Vários empregados do palácio adentram a sala e recolhem os pratos. O rei se levanta, sua família e eu nos levantamos e o seguimos. Ao lado da mesa do jantar, há um sofá enorme e uma lareira pequena (mas não simples) que irradia fogo mantendo toda a sala quente.

- Pois bem. Harley, vamos lá.

Me sento no canto do sofá, a rainha ao lado do rei e o principe em uma poltrona ao lado da mãe.

- Bem, o que vou te falar pode parecer difícil de entender, mas saiba que... é bom. De certa forma.

- Sim, por favor, pode falar.

- Pelo que sabemos você é uma garota pesquisadora. Sempre lendo e inclusive muitos livros de história, certo?

Olho para ele curiosa. A pergunta no momento é: como ele sabe?

- Sim. Eu acho.

- Bom - ele continua -  então, como você já deve saber, as Ilhas do Sul nem sempre foram governadas pelos Valants, antes de nós tinhamos nossos queridos conterrâneos, os Salvatoras. - ele diz.

Ainda não consigo entender onde ele quer chegar. Até que ele fala:

- Harley, poderia me falar o que acontece após a morte de George Salvatora? Você sabe?

- Claro - nesse momento ele olha para a rainha e sorri, eu continuo: - a princesa, filha de George foge do reino, por achar que o pai pensava que ela não fosse compentente suficiente para governar.

A história é longa.

O rei completa:

- Ela foge e Handrick Valant faz uma promessa a George, ele diz que iria encontrar a princesa custe o que custar - ele se levanta e pega de cima da lareira um papel - com a intenção de cumprir essa promessa, nós desde Handrick, meu bisavô corremos atrás dessa garota, não a encontramos, porém, contratamos os melhores detetives do país e cá estamos.

Sinto em dizer que sim, eu estava entendo o que ele queria dizer, mas me recusava a admitir.

- Harley - a rainha começa - nós pesquisamos muitos, os detetives investigaram demais e finalmente chegamos a um descendente dos Salvatoras.

O rei entra na conversa e dá o veredito final, a frase que me destrói:

- E tenho o orgulho de dizer que a descente de toda família Salvatora se encontra na nossa frente nesse momento.

Não acredito, me recuso a acreditar, quero muito dizer que isso tudo é mentira, que isso tudo é um sonho, mas pela cara deles e pela forma como falaram estou tristemente errada. Mas não sou obrigada a aceitar e sinto dizer que isso não vai acontecer."

CONTINUA...









AHHH espero que tenham gostado, mesmooo!! Esse será um segredo de muitos a serem revelado nessa história. Harley ainda tem muito para viver. Deixem as estrelinhas e comentários.

Bjinhoss😙

Uma Coroa em Minha Vida    [CONCLUÍDO]Onde as histórias ganham vida. Descobre agora