Revelação|Capítulo 29

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Vou lhe dar um número, 8. Oito é o número de dias que tenho para tomar uma providência. Enrolei ao máximo ao ponto de me sufocar. Nada daqueles planos que planejei cumpri. E estou pagando por isso. A única coisa que fiz, por mero egoísmo, foi contratar seguranças e, andar armada vinte e quatro horas.

Não tive notícias dos dois embustes, embora eles ainda estejam sendo monitorados. Não fui na delegacia prestar queixa, tampouco iniciei o inquérito com a promotoria/Henrique.

Ah Katrina, você é burra! Por que você ainda não foi? É tão simples...

Calma, muita calma!

Quando estamos fora da situação, realmente é fácil. Mas vou explicar uma coisa: para que eu denuncie, terei que contar a verdade. Isso significa desenterrar tudo que guardo a milhões de chaves e anos dentro de mim, além de ter que fazer um comunicado de incompetência justificado por um envolvimento afetivo com o réu.

Claro, isso considerando o básico.

Eu e Henrique estamos muito bem, graças a Afrodite do Olimpo.

Nesses sete dias que passaram, eu o monopolizei. Evitei ao máximo falar sobre trabalho, sobre nós.

Ontem assistíamos um filme e fizemos planos que me fazem temer o presente.

—O que você acha de morarmos juntos?—ele perguntou enquanto afagava meu cabelo.

—É cedo demais não acha?—abracei seu abdômen.

—Sinceramente? Não acho. Por mim, estaríamos morando juntos desde que cheguei no Rio.—ele me aperta em seu corpo.

Sabe quando você quer dizer sim, mas aquele lado maior, razão, diz não? É isso que está acontecendo. Simplesmente quero dizer com todas as letras sim, mas também quero dizer não.

"Cuidado para não se afogar, Pequeno Gafanhoto"

Mais uma vez, a frase volta a tamborilar em minha cabeça. Eu, cansada de ser paralisada pelo medo concordo:

—Tudo bem. Vamos fazer isso, mas é que moramos um em frente do outro.—sorri nervosa, tomando consciência do que eu acabara de dizer.

—Mas não quero morar aqui, estive pensando em procurar uma casa grande e aconchegante para contemplar a bagunça de nossos filhos.—beija minha testa.

Filhos?

Eu preciso conversar com Henrique seriamente. Não é que não queira, é só que...

Ah, mais esse momento está tão romântico...aceita vai, depois você conta—a menina romântica que habita em mim protestou e eu acatei.

—Tudo bem.—concordo

—Quantos filhos teremos? Uns dez?

—Quando o útero for seu, talvez. Mas como é meu, será um.—digo toda mandona

—Ah não amor, quatro.

—Henrique, com muito esforço dois.

A chances de um é somente 10% né, querida?—meu fragmento irônico me recorda da realidade.

—Vamos ver. Eu tenho uma porra potente, se brincar, você engravida de quatro na primeira gestação.—ele diz todo arrogante.

***

Estou simplesmente sorrindo com a lembrança ao observa-lo dormir como anjo.

Ainda o observando, me movo com muito cuidado para não o acordar, ele diz algumas palavras desconexas, mas sigo meu objetivo. Caminho descalça até a cozinha, e procuro algo para preparar o desjejum, embora eu não possua habilidade alguma.

Treinada para não Amar_ Katrina[CONCLUÍDO]Leia esta história GRATUITAMENTE!