CAPÍTULO BÔNUS

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Ainda não respondi todos os comentários, mas, AHHHHH, adorei tudo. Obrigada de coração! Vocês são tão incríveis. ESPERO QUE GOSTEM DO CAPÍTULO ABAIXO escrito sob um ponto de vista alternativo.

UM ABRAÇO BEM APERTADO! Em menos de 48h estarei no Brasil e estou tão ansiosa! Por isso pode ser que eu não possa responder os comentários essa semana, mas assim que puder falo com vocês e trago novidades.

* * *

A juventude era definitivamente desperdiçada nessas crianças.

E eu não sabia mais ao certo se tinha sido George Bernard Shaw ou Adam Levine quem dissera isso.

Se eu fosse um poeta, eu elevaria metaforicamente os olhos aos céus, à lua e a todos os astros que nos testemunham e pediria para que jurassem ao tempo que nunca fui recipiente dessa verdade. Que enterrassem da memória os anos perdidos da minha juventude, anos enredados em cinismo e irresponsabilidade. Porque adolescentes sabem ser verdadeiros babacas.

Que o diga o Vinícius.

Não me entenda errado. Eu sentia que deveria ser grato (embora não soubesse se isso fosse algo correto) de que ele e os outros pirralhos que ensinava me olhassem com uma certa admiração. Eu retirava disso um senso cambaleante de identidade e missão, maior do que o mero ensino de literatura. Queria ensiná-los a serem pessoas. Homens.

Mas, às vezes, olhar para a situação presente era desanimador. Será que algum dia eu realmente já tinha sido tão cabeça-oca?

Eu o peguei balançando a cabeça e gargalhando diante de uma foto no celular. O garoto teve a presença de espírito de esconder a tela quando me percebeu sobre o seu ombro, mas consegui observar a tempo que era uma espécie de vídeo ou gif. Exibia a queda de uma garota numa calçada, de novo e de novo, após um garoto quase atropelá-la com um skate. A cena acabava com o momento em que a menina fechava as pernas de forma nada graciosa. A filmagem foi feita de longe e estava tremida e embaçada. Mas nítida o suficiente para que eu pudesse reconhecer a mochila vermelha e a jaqueta jeans do rapaz no skate.

Quando isso aconteceu? Quem é a moça e como ela está? — perguntei, cruzando os braços. Às vezes me assustava o tom autoritário e frio que minha voz às vezes tomava, mesmo quando eu não a elevava. Soava muito com meu pai, o que era um dos meus pesadelos realizados. Eu só tinha vinte e um anos de idade. Não deveria soar tão velho.

Carrego comigo a idade de todos os meus livros, a frase ressoou no meu cérebro num resquício familiar e passado. No instante seguinte, a lembrança já tinha se esvaído.

— Eu não sei direito. Uma menina mais nova. Acho que uma ou duas séries abaixo da minha.

Ele deu de ombros e passou a mão pelo cabelo de uma forma que me fazia perguntar se ele achava que havia câmeras escondidas na casa fotografando-o. Cada movimento era artificial e deliberado. Eu sei que fiz o mesmo. Todos nós fizemos. Queríamos apenas descobrir quem éramos. Então os copiávamos, certos de que convencíamos o mundo de que éramos autênticos e únicos em nossa imitação barata.


O mundo inteiro é um palco

E todos os homens e mulheres não passam de meros atores

Eles entram e saem de cena

E cada um no seu tempo representa diversos papéis.


— Você se desculpou ao menos? — O tom assustador de pai se recusava a deixar minha voz. — Já que claramente não a ajudou a levantar.

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