CAPÍTULO XVI

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O aniversário de dezesseis anos de João Pedro Gomes caiu num sábado. O garoto acordou por volta das dez e meia da manhã, mas apesar disso ficou algum tempo deitado na cama, coberto por um edredom grosso até o pescoço. Era uma daquelas ocasiões em que a preguiça era muito grande e o conforto da cama era a melhor coisa do mundo... João faria o máximo para ficar ali, enterrado em seu mundinho.

Ele se viu pensando nos seus recentes encontros com Samuel Bianchi, naquela casa ao lado do seu prédio. No último mês ele havia ido para lá pelo menos três vezes, sempre ao lado de Renan Silveira, seu melhor amigo e par romântico. Os dois nunca sabiam quando iriam receber o chamado de Samuel. As oportunidades eram quase sempre imprevisíveis: havia dias em que Samuel avisava com antecedência, mas em outros ele chamava os garotos bem na hora disponível. Nesse último caso, Renan e João paravam o quê estavam fazendo e iam correndo para a casa do rapaz.

"O quê vocês não fazem por uma boa foda não é?", dissera Samuel uma vez quando João contou que fugiu de um castigo para ir até lá. Ele havia tirado nota baixa em matemática e seus pais o proibiram de sair de casa, forçando-o a ficar no quarto estudando. O adolescente escapou enquanto eles tiravam um cochilo da tarde. E o sexo com Samuel e Renan foi maravilhoso naquele dia... Embora a bronca de seus pais quando voltou para casa tenha sido a pior de sua vida.

João, Samuel e Renan tinham virado uma espécie de "parceiros". O rapaz continuava sua vidinha social como heterossexual, em relacionamento com uma garota (que ele amava), enquanto se encontrava com os meninos as escondidas e fazia todo o tipo de perversão. E o segredo se mantinha entre eles, o que era a chave para essa tal de "parceria" dar certo. Mas muito além de sexo, os três haviam criado um forte laço de amizade...

Lembrar desses encontros fizera João Pedro enrijecer naquela manhã do seu aniversário. Por debaixo do edredom grosso, o adolescente vestia apenas um calção preto confortável. A típica ereção matinal estava pedindo para ser aliviada. João chegou a enfiar a mão dentro do calção e acariciar o pau, mas decidiu não se masturbar. Tinha expectativas para aquele dia e preferiu guardar o tesão para mais tarde.

Quando enfim saiu da cama, ele trocou o calção por um short, colocou uma camisa qualquer e foi tomar café com os pais na cozinha. Eles começaram a discutir como iriam comemorar o aniversário do adolescente.

-Tudo bem você não querer festa – Disse a mãe de João – Mas nós pelo menos podemos comprar um bolo não é? Lembra daquele bolo de chocolate que eu comprei na confeitaria perto do meu serviço? Eu passo lá hoje de tarde e compro um parecido. Só pra nós.

-Pode ser. Mas só pra nós – João respondeu decidido – Ah, e eu vou chamar o Renan.

-Só o Renan?

-Sim.

Os dois adultos se entreolharam.

-Ok, pode chamar o Renan. Fala pra ele aparecer de noite, que vamos comprar um bolinho pra você.

-Beleza.

João sorriu, terminou de tomar seu café com pão e retornou ao quarto. Ele pegou o celular de trás do travesseiro e mandou uma mensagem para Renan avisando sobre o esquema da noite. Mas ele fez questão de deixar claro que aquilo não era uma festa e que o garoto seria o único convidado. No fim Renan enviou:

Sou péssimo com essas coisas mas vamos lá... Feliz aniversário. Te desejo tudo de bom nessa vida, você é um ótimo amigo e eu te amo demais. Obrigado por todos esses anos de amizade, tu é muito importante pra mim.

O garoto respondeu dizendo que também amava Renan e agradeceu pelo parabéns. De todas as mensagens de feliz aniversário que recebera naquele dia, a de Renan foi a mais importante para ele.

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